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Xi Jinping avisa: tentativas de dividir a China estão “condenadas ao fracasso”

Aly Song/ REUTERS

Presidente chinês deixou, no seu discurso no encerramento da sessão anual do legislativo, fortes avisos às pretensões separatistas e exaltou a necessidade de se “alcançar a unidade total do país”: “Todas as tentativas ou truques para dividir o país estão condenadas ao fracasso e serão punidas pelo povo e castigadas pela história”

O encerramento da sessão anual do legislativo na China conta, tradicionalmente, com o seu último dia dedicado ao "número dois", o primeiro-ministro, que apresenta perante os quase 3000 delegados da Assembleia Nacional Popular (ANP) a sua conferência de imprensa anual - assim explica o correspondente da BBC em Pequim. Não foi o caso. A exibição de Li Keqiang viu-se ofuscada por um discurso carregado de um fervoroso nacionalismo de Xi Jinping - um Presidente reeleito que vê agora a sua liderança estender-se indefinidamente, graças à reforma constitucional, aprovada pela ANP, que elimina o limite de dois mandatos consecutivos na presidência.

Este é só mais um exemplo do enorme poder que o Presidente tem vindo a acumular nos últimos anos, tornando-se o mais poderoso líder chinês desde Mao Tsé-Tung.

O discurso de Xi Jinping foi um aviso claro às tentativas de separatismo no país, como é o caso da Formosa e de Hong Kong: "Todas as tentativas ou truques para dividir o país estão condenadas ao fracasso e serão punidas pelo povo e castigadas pela história". No Grande Salão do Povo, evocando as "grandes conquistas" da China, o também secretário-geral do Partido Comunista da China (PCC) disse que "alcançar a unidade total [do país]" é a "esperança coletiva de todo o povo chinês".

Na semana passada, a administração de Trump promulgava um documento que visava fortalecer as relações entre os Estados Unidos e a Formosa, promovendo viagens entre oficiais governamentais séniores de ambos países - algo que não terá caído bem à China de Xi Jinping.

Apesar de ter sido divulgada esta segunda-feira uma sondagem que dava conta duma queda significativa do apoio à independência da Formosa - de 51,2% em 2016 para 38,3% - as aspirações de soberania da ilha no leste da China continuam a ser uma preocupação para Xi Jinping, que fez questão de reforçar no seu discurso que "é absolutamente impossível separar da China, nem que seja um milímetro, o grande território do nosso país".

Mas não é só a Formosa que representa uma ameaça à unidade territorial da China, também as crescentes pretensões de Hong Kong ou até mesmo o conflito separatista na província de Xinjiang, no oeste do país, liderado por grupos islamistas que afirmam que a região - designada pelos insurgentes de Turquestão Oriental - está sob ocupação ilegal chinesa.

Apesar do discurso de Xi Jinping ter protagonizado a sessão houve espaço para a tradicional conferência de imprensa anual do primeiro-ministro Li Keqiang, que escolheu abordar o tema da economia.

Li Keqiang garantiu que a China está comprometida a realizar uma maior abertura económica e a assegurar que "tanto empresas nacionais como estrangeiras" estão "habilitadas para competir em pé de igualdade no mercado chinês" - um discurso que contrastou fortemente com a recente retórica protecionista adotada pela administração Trump.

A sessão anual da ANP encerrou com a eleição de novos titulares dos órgãos de Estado, onde foram eleitos vários aliados de Xi Jinping. É o caso de Wang Qishan, que foi nomeado vice-presidente, ou de Liu He, um dos principais assessores do Presidente, que desempenhará agora o papel de vice-primeiro-ministro.