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Suspenso CEO da empresa envolvida no escândalo do Facebook

Horacio Villalobos - Corbis/Getty Images

Cambridge Analytica é suspeita de ter recolhido e guardado de forma ilegal os dados pessoais de cerca de 50 milhões de utilizadores do Facebook para manipular eleitores britânicos e norte-americanos

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Alexander Nix, CEO da Cambridge Analytica, foi esta terça-feira afastado das suas funções na empresa.

Em comunicado, a Cambridge Analytica refere que a suspensão de Alexander Nix, “que está a ser alvo de uma investigação independente”, tem “efeito imediato”. “Na ótica da empresa, as declarações de Nix que o Channel 4 News gravou em segredo, assim como outras alegações, não representam os nossos valores. O seu afastamento mostra o quão grave é para nós esta violação”, lê-se na nota.

Segundo uma reportagem publicada pelo “New York Times” e pelo londrino "Observer" este fim de semana, a Cambridge Analytica terá recolhido e guardado de forma ilegal os dados pessoais de cerca de 50 milhões de utilizadores do Facebook para ajudar Donald Trump a vencer as eleições presidenciais de 2016.

Na segunda-feira, o Channel 4 News divulgou imagens captadas em segredo em que Alexander Nix e outros executivos da Cambridge Analytica surgem a delinear esquemas para desacreditar candidatos políticos online. Na reportagem, o antigo CEO afirma ter-se encontrado com Trump “muitas vezes”, cuja campanha para as eleições presidenciais contou com o contributo da empresa. “Fizemos toda a investigação, recolhemos os dados e analisámos a informação. Fomos responsáveis por toda a campanha online. Os nossos dados foram determinantes para a estratégia”, usada. A empresa reagiu garantindo que não “apoia nem se envolve em subornos ou armadilhas”. Já o próprio CEO acusou o Channel 4 britânico de “deturpar os factos” para “encurralar deliberadamente” a sua empresa.

Face às alegações que surgiram durante o fim de semana, a comissária de informação da Grã-Bretanha, Elizabeth Denham, informou na segunda-feira que vai pedir o acesso aos servidores da Cambridge Analytica.

  • A lição do novo escândalo do Facebook: cuidado com as aplicações nas redes sociais

    Se usa o Facebook, já deve ter visto aplicações a anunciar que vão mostrar-lhe como será o seu rosto quando for mais velho ou como seria o seu aspeto se fosse uma estrela de cinema. Há milhões de aplicações no Facebook e é quase certo que já utilizou uma ou que os seus amigos já o fizeram. Mas deve também saber que essas aplicações passam a ter acesso a alguns - às vezes quase todos - dos seus dados pessoais alojados no Facebook. Ora, uma dessas aplicações, chamada “thisisyourdigitallife”, aparecia na rede social a pedir aos utilizadores que respondessem a uma série de questões para que fosse traçado um perfil psicológico. Soube-se agora que essa aplicação foi utilizada para manipular eleitores norte-americanos e britânicos - o homem que denunciou o caso chama-se Christopher Wylie. Os media dizem que o Facebook sabia de tudo e há políticos a pedir a chamada de Zuckerberg aos comités políticos dos EUA e do Reino Unido. Entre polémicas, intimidações e dúvidas que surgiram nos últimos dias, há pelo menos uma certeza: há aplicações pouco inocentes no Facebook