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Internacional

Presidente palestiniano culpa Hamas por ataque a primeiro-ministro

LUCAS JACKSON / REUTERS

Abbas responsabiliza o movimento islâmico sunita pelo bombardeamento da semana passada ao comboio em que viajava Rami Hamdallah. Acusações vêm aumentar a tensão entre o Hamas e a Fatah, cujos esforços de reconciliação não têm visto progressos nos últimos tempos

O presidente da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), Mahmud Abbas, acusou na segunda-feira o grupo islâmico Hamas, que detém o controlo da faixa de Gaza, de ser o culpado pelo bombardeamento do comboio em que viajava o primeiro-ministro Rami Hamdallah.

A 13 de março, mal o veículo passou pelo posto de controlo israelita Erez, no norte de Gaza, foi atacado com uma bomba. Tanto o primeiro-ministro como o chefe de segurança da ANP, que também viajava no comboio, não ficaram feridos. Na altura, o Hamas disse que iria avançar de seguida com uma investigação. Agora, são apontados por Abbas como os possíveis autores do ataque.

"Não queremos uma investigação feita por eles, nós não queremos informação deles e nós não queremos nada deles porque sabemos exatamente que o Hamas foi quem cometeu o incidente", disse o Presidente na reunião da liderança palestiniana, em Ramallah, citado pela Reuters.

Abbas não forneceu quaisquer provas do possível envolvimento do Hamas no ataque mas declarou não confiar no grupo para investigar com honestidade o incidente e que seriam tomadas todas as "medidas nacionais, legais e financeiras" necessárias para apurar o sucedido.

Estes recentes confrontos têm contribuído para um aumento da tensão entre o Hamas e a Fatah, facção do primeiro e do qual faz parte o presidente da ANP. O ataque ao primeiro-ministro veio fragilizar os esforços de reconciliação entre ambos: o próprio Abbas disse que tem havido "zero" progressos neste sentido.

"Como Presidente do povo palestino, tenho tolerado muita coisa para poder recuperar a unidade da nossa pátria mas só tenho recebido rejeição por parte do Hamas e da sua autoridade ilegítima".

A resposta do Hamas às acusações foi clara: querem convocar eleições "gerais, presidenciais, parlamentares e para o conselho nacional" pois consideram que a posição de Abbas "só vem contribuir para um reforço da divisão e atinge a unidade do nosso povo", disseram em comunicado, citado pela AlJazeera.

Há anos que o Fatah e o Hamas têm tentado sem sucesso chegar a compromissos sobre o controlo da faixa de Gaza e sobre a segurança do enclave. A maioria das tentativas de aplicação de acordos foram mediadas pelo Egito.