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Expresso

Internacional

EUA e Coreia do Sul vão retomar exercícios militares conjuntos

Último exercício militar conjunto deu-se em dezembro, antes da reaproximação intercoreana iniciada este ano

KIM HONG-JI

Novo ensaio militar vai começar a 1 de abril, mediante os maiores esforços diplomáticos da História para o desarmamento nuclear da Península Coreana

Os Estados Unidos da América e a Coreia do Sul anunciaram que vão retomar os seus exercícios militares conjuntos a 1 de abril, naquele que é um dos maiores pontos de contenda na Península Coreana, com a Coreia do Norte a ver nesses exerícios anuais um treino para a invasão do seu território.

O ensaio militar de larga escala devia ter começado em março, mas foi adiado após Pyongyang ter sugerido a Seul que se usassem os Jogos Olímpicos de Inverno — que decorreram em fevereiro na cidade sul-coreana de PyeongChang — para retomar a via diplomática pelo desarmamento nuclear da Península.

Os exercícios envolvem mais de 300 mil tropas americanas e sul-coreanas. O anúncio de que vão avançar no domingo de Páscoa surge enquadrado por um antecipado encontro entre Kim Jong-un, o líder da Coreia do Norte, e o Presidente dos EUA, Donald Trump, que poderá ter lugar já em maio com o objetivo de reduzir as tensões na Península Coreana.

No início deste mês, Trump surpreendeu a maioria dos analistas ao aceitar um convite de Kim para um encontro cara-a-cara, com o líder norte-coreano a garantir que está "comprometido" com a desnuclearização do regime. Este compromisso foi transmitido à administração norte-americana por uma delegação da Coreia do Sul que se encontrou com Kim em Pyongyang e mais tarde com Trump na Casa Branca.

Desde então, mais nenhum pormenor foi avançado sobre esse encontro, com a Coreia do Norte em silêncio desde que o líder norte-americano aceitou o seu convite para negociações diretas. Se estas se concretizarem, será a primeira vez que um Presidente dos EUA em funções se reune com um líder norte-coreano.

No final da semana passada, o chefe da diplomacia de Pyongyang, Ri Yong-ho, aterrou na Suécia para se encontrar com membros do governo de Stefan Löfven, o que aumentou a especulação de que Estocolmo pode vir a ser o local escolhido para o encontro de Trump com Kim.

Ao anunciar a retomada dos exercícios militares com os EUA, o Ministério da Defesa sul-coreano disse que estes vão dar-se "à mesma escala que em anos anteriores", com o Pentágono a acrescentar que Pyongyang foi informada da decisão e a sublinhar que os treinos conjuntos vão ser "orientados para a defesa", pelo que "não há razão para a Coreia do Norte os ver como uma provocação".

Durante o seu encontro com o Presidente dos EUA no mês passado, a delegação sul-coreana fez saber que o líder da Coreia do Norte entende que os exercícios militares conjuntos "têm de continuar" — uma mudança notável na postura de Pyongyang.

No passado, o regime de Kim declarou que estes ensaios militares "só deitam mais gasolina na fogueira" e prometeu "retaliar seriamente" contra eles. Nos últimos anos, tem sido comum a Coreia do Norte testar mísseis balísticos durante as operações conjuntas dos EUA com a Coreia do Sul, mas desta vez Kim prometeu que não o fará.