Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Putin: "Acham que vou ficar aqui até aos 100 anos?"

O Presidente russo respondeu a perguntas de jornalistas depois dos primeiros resultados das eleições, que ganhou com pelo menos 75% dos votos. Garante ser “fiel servo” do povo, ridiculariza as insinuações da culpa russa no envenenamento do ex-espião Skripal e diz que quer fazer com que os ucranianos se sintam na Rússia como em casa

Vladimir Putin não disfarça que está contente por continuar a ser o homem ao leme do maior país do mundo. Não é que alguém tenha duvidado desta vitória esmagadora (de 75% e a maior de sempre em democracia na Rússia), mas há sempre o medo de que algo possa vir a mudar. Mas ainda não foi desta. Depois de terem saído os resultados, o Presidente reeleito respondeu às perguntas dos jornalistas e começou por dizer-se “fiel servo” dos eleitores, prometendo continuar a trabalhar para um país cada vez mais forte.

A pergunta que se seguiu teve que ver com o envenenamento do ex-espião russo Skripal, encontrado inconsciente no banco de um centro comercial em Salisbury, na Inglaterra, no início de março. O Reino Unido uniu-se em torno deste incidente e Londres aponta o dedo ao Kremlin desde o início das investigações, explicando que o ex-espião foi envenenado com uma substância química produzida exclusivamente pelo Exército russo.

Putin garantiu este domingo que tudo não passa de uma mentira absurda. Explicou que conheceu o caso pela comunicação social e que “qualquer pessoa inteligente” percebe que nunca ninguém na Rússia iria permitir que uma coisa destas acontecesse em cima de umas eleições e, ainda por cima, com um Campeonato do Mundo a chegar. “A Rússia nem sequer tem este tipo de substâncias. Todas as nossas armas químicas foram destruídas sob o controlo de observadores internacionais e fomos os primeiros a fazê-lo. Ao contrário de alguns dos nossos parceiros que prometeram fazê-lo, mas nunca o cumpriram”, acrescentou.

Polémica em Kiev

Depois de ridicularizar as insinuações dos britâncios, o Presidente reeleito falou sobre a afluência às urnas na embaixada russa em Kiev. Ou melhor, da falta dela, já que o Governo ucraniano anunciou a dois dias das eleições que iria bloquear os edifícios administrativos russos como forma de protesto contra a votação na Crimeia. A península ucraniana foi anexada pela Rússia há exatamente quatro anos e esta foi a primeira vez que participou numas eleições do país vizinho, com cerca de 90% de votos em Putin. A anexação nunca foi aceite pela comunidade internacional e serviu de acendalha para a guerra no leste da Ucrânia, que se tornou no conflito armado mais longo na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

“Esta atitude é completamente desprovida de noção e viola todas as normas internacionais”, disse Putin. Explicou que não vai fazer nada para retaliar o bloqueio da embaixada, porque, para o líder russo, “a Ucrânia e o povo ucraniano são como irmãos. Sempre o disse. Não vamos responder com quaisquer restrições mas sim, pelo contrário, vamos fazer de tudo para que os ucranianos se sintam na Rússia como em casa”.

Com cada vez menos aliados no Ocidente, os últimos anos de Putin têm sido passados a reforçar alianças com o Leste. A China tem vindo a ser um parceiro cada vez mais importante no panorama estratégico e comercial da Rússia, e isso foi uma das ressalvas feitas pelo político durante este tempo de antena. “Os projetos de desenvolvimento da China são compatíveis com os nossos projetos de construção de uma união económica da Eurásia. O nível de relação entre os dois países nunca foi tão alto e nós apreciamos muito este facto.”

Outro facto que Putin aprecia muito são as perguntas sobre o futuro. Quando lhe perguntaram se ponderava concorrer à presidência em 2030 (que, segundo a Constituição, não poderá candidatar-se em 2024), o ex-agente do KGB riu-se e pediu para fazerem contas. “Acham que vou ficar aqui até aos meus 100 anos?”