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Internacional

ONU apoia “eleições livres, justas e credíveis” no Zimbabwe em julho

O novo Presidente do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa (esq), ao lado de Robert Mugabe e da mulher deste em 2016

JEKESAI NJIKIZANA / AFP / Getty Images

O plebiscito, ainda sem data marcada, será o primeiro desde que Robert Mugabe abandonou o poder depois de 37 anos – e o primeiro grande teste a Emmerson Mnangagwa, que assumiu a liderança interina do país em novembro

As Nações Unidas manifestaram apoio ao plano do atual governo do Zimbabwe para convocar eleições para julho, as primeiras a terem lugar no país desde que Robert Mugabe foi afastado da presidência pelo Exército, depois de 37 anos no poder. O plebiscito, ainda sem data marcada, será o primeiro grande teste a Emmerson Mnangagwa, ex-vice-presidente do governo de Mugabe, que assumiu a liderança interina do país em novembro,

Em comunicado, o responsável pelo programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Achim Steiner, disse este domingo que as eleições são determinantes para definir o futuro do Zimbabwe.

"Steiner acolhe a promessa do Presidente Mnangagwa de convocar eleições credíveis e pacíficas como um marco importante para uma transição de sucesso", lê-se no documento. "O PNUD continua empenhado em apoiar o processo de preparação das eleições e os esforços de recuperação económica."

Neste momento, e no âmbito do programa de recolha de dados biométricos dos cidadãos do Zimbabwe que foi iniciado em outubro, cerca de 5,4 milhões de eleitores já se registaram para votar no plebiscito de julho. Os analistas antecipam que a oposição ao ZANU-PF, o partido de Mugabe e de Mnangagwa, vai ter o trabalho dificultado nessa ida às urnas, sobretudo depois da morte de Morgan Tsvangirai, o grande opositor político do ex-Presidente.

Durante uma visita a Harare, a capital do país, o enviado da ONU sublinhou este fim de semana que o Zimbabwe só poderá conquistar desenvolvimento económico com um governo estável e eleito democraticamente. "As minhas discussões com o Presidente e outros membros do governo deixaram claro que reavivar a recuperação económica do Zimbabwe é uma prioridade urgente", declarou Steiner. "Aplaudimos os passos que o governo está a dar em termpos políticos e de reformas legais para melhorar as condições para fazer negócios [no país]."

O afastamento de Mugabe da presidência há quatro meses deu-se num contexto do colapso da economia, com elevadas taxas de inflação e desemprego e com o Exército e a oposição ao ZANU-PF a acusar o ex-Presidente de má gestão de fundos e corrupção, responsabilizando-o pelo estado lastimável das contas públicas.

Para relançar a economia, Mnangagwa quer atrair mais investidores estrangeiros, mas a maioria deles continua avessa a fazer negócios no país rico em ouro, platina e outros minerais. A recuperação económica do Zimbabwe foi uma das grandes promessas do novo Presidente quando assumiu o poder em novembro, altura em que garantiu que vai reforçar a democracia no rescaldo de 37 anos de ditadura.