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Especialistas da OPAQ no Reino Unido para apoiar investigação ao caso Skripal

Chris J Ratcliffe

O ex-espião duplo russo Sergei Skripal, a sua filha Yulia e um agente da polícia britânica continuam internados em estado grave após terem sido expostos a um agente químico no sul de Inglaterra a 4 de março. Chefe da diplomacia britânica vai esta segunda-feira a Bruxelas tentar angariar mais apoios na União Europeia e na NATO contra a Rússia, cujo governo Londres e os aliados já responsabilizaram pelo ataque

Uma equipa de especialistas da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) vai chegar esta segunda-feira a Inglaterra, especificamente a uma base militar em Porton Down, Wiltshire, para avaliar que tipo de agente nervoso foi usado para envenenar o ex-espião russo Sergei Skripal e a sua filha, num ataque ocorrido a 4 de março em Salisbury, no sul do país.

Especialistas daquela base militar dizem que os Skripal bem como dezenas de outras pessoas parecem ter sido expostos ao Novichok, uma arma química poderosa que foi desenvolvida pela Rússia a partir dos anos 1970.

Vladimir Putin, que este fim de semana foi eleito para um quarto mandato presidencial na Rússia sob várias acusações de fraude, continua a defender que é "inimaginável" que o Estado russo fosse patrocinar ou ordenar este ataque antes das eleições deste domingo e do Mundial de Futebol, que se disputa este verão em várias cidades russas.

À hora em que se confirmou a sua vitória nas urnas este domingo, Putin insistiu que o seu país destruiu todo o arsenal químico que detinha (um processo supervisionado pela OPAQ e que foi concluído em outubro passado) e acrescentou que é um "disparate" implicar o seu governo no incidente de 4 de março.

Nesse dia, Sergei Skripal, um duplo espião russo de 66 anos que se exilou em Salisbury após ter sido condenado a prisão no seu país-natal por passar informações ao Reino Unido, e a sua filha, Yulia, de 33 anos, que vive na Rússia e que estava de visita ao pai, foram expostos a um agente tóxico que envenenou dezenas de pessoas, incluindo um agente da polícia que continua internado em estado grave. Os Skripal também continuam no hospital desde então, em estado muito grave.

Este fim de semana, o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, reforçou as acusações a Moscovo, dizendo que o governo Putin tem estado a desenvolver novo arsenal do químico que terá sido usado no ataque. Esta segunda-feira, Johnson vai viajar até Bruxelas para obter ainda mais apoios na tomada de posição contra a Rússia, quer da União Europeia quer da NATO.

A delegação da OPAQ que vai estar em Inglaterra também vai reunir-se com os detetives responsáveis pela investigação ao caso, os mesmos que convidaram os cientistas da organização a avaliarem, de forma independente, que agente nervoso foi usado. Espera-se que esse processo demore pelo menos duas semanas a gerar resultados preliminares.

Fontes citadas pelo canal norte-americano ABC News este fim de semana dizem que há crescentes suspeitas de que Skripal e a sua filha terão sido expostos ao agente químico através do sistema de ventilação do carro do ex-espião.

A polícia britânica ainda não confirmou o dado, embora tenha anunciado a recolha de 762 provas no centro comercial de Salisbury e na casa de Skripal, a par das quais está também a analisar cerca de 4000 horas de imagens captadas pelos sistemas de vigilância nas duas zonas da cidade. Agentes da polícia citados pelos media locais dizem que estão a ser alcançados "bons progressos" no que é "uma investigação meticulosa que deverá durar semanas, senão meses".

No final da semana passada, o governo britânico de Theresa May anunciou a expulsão de 23 diplomatas russos tidos como "agentes não declarados" e uma série de outras medidas em resposta ao que diz ter sido um ataque encomendado e patrocinado pela Rússia. Em resposta a isso, Putin anunciou no sábado a expulsão de 23 diplomatas britânicos.