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Aliados elogiam vitória de Putin, líderes ocidentais remetem-se ao silêncio

Hannah Peters/Getty Images

Líderes da China, Cazaquistão, Bielorrússia, Venezuela e Cuba felicitaram o Presidente russo pela sua reeleição. Já os líderes ocidentais remeteram-se ao silêncio, numa altura em que estão tensas as relações com o país

Menos de 24 horas decorridas sobre a vitória alargada de Vladimir Putin, eleito com 76,67% dos votos – quando estão contabilizados quase todos os boletins (99,8%) –, nas eleições deste domingo, os aliados de Moscovo congratularam o Presidente russo. Mas os líderes ocidentais remeteram-se para já ao silêncio, numa altura em que existe uma crise diplomática entre o Reino Unido e a Rússia, face ao caso do envenenamento do ex-espião Sergei Skripal.

O homólogo chinês, Xi Jinping, foi um dos primeiros a elogiar a vitória de Putin, há 18 anos no poder, sublinhando que a relação de cooperação estratégica entre Pequim e Moscovo encontra-se no “melhor nível da história”, constituindo um exemplo para a construção de um “novo tipo de relações internacionais”.

Também o Presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev, deu os parabéns a Putin pela vitória, elogiando as suas reformas políticas e e económicas. “Gostaría de realçar a contribuição particular de Putin para o desenvolvimento de relações amigáveis e de boa vizinhança entre os dois países, que representam um exemplo de aliados e parceiros estratégicos na região”, afirmou o líder do Cazaquistão, que fez questão de telefonar ao seu homólogo russo.

Por telegrama, o chefe de Estado da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, manifestou confiança de que a relação bilateral saírá reforçada no futuro com a liderança de Putin. “Estes resultados mostram que os cidadãos russos têm alta confiança e apoiam o caminho e Putin no que diz respeito ao desenvolvimento económico e sustentável, reforçando a sua autoridade na arena internacional”, declarou Alexander Lukashenko, salientando os laços históricos de amizade e compreensão mútua entre os dois países.

Na América Latina, o ministério da Comunicações e Informação venezuelano congratulou igualmente a reeleição de Putin, defendendo que a Rússia sob a sua liderança tem contribuído juntamente com a Venezuela para a “garantia de paz e estabilidade das relações internacionais”.

Também o líder cubano felicitou o seu homólogo russo pela sua reeleição para o período de 2018-2024. “Raul Castro transmitiu os seus calorosos parabéns ao Presidente russo Vladimir Putin, que acaba de ser reeleito este domingo”, pode ler-se numa nota da embaixada citada pela agência russa Tass.

À entrada de uma reunião em Bruxelas com os ministros dos Negócios Estrangeiros europeus, o MNE alemão Heiko Maas disse que a “UE continua aberta ao diálogo com a Rússia”, ainda que reconheça que deva continuar a ser um “parceiro difícil”.

Sobre o caso do envenenamento do ex-espião russo, Boris Johnson acusou Moscovo de estar a tentar novamente esconder a verdade, acrescentando que os “desmentidos são cada vez mais absurdos”.

Já Federica Mogherini condenou o envenenamento de Sergei Skripal e disse que os chefes da diplomacia da UE concluíram que é “altamente provável o envolvimento da Rússia” neste caso, dando razão ao Reino Unido.

Recorde-se que Theresa May responsabilizou Moscovo pelo envenenamento do espião e da filha, que se encontram em estado crítico após terem sido encontrados inconscientes no passado dia 4 de março, em Salisbury. Mas o Kremlin tem negado reiteradamente a autoria do ataque, classificando tal acusação de “chocante” e garantindo que a Rússia não tem nada a ver com o caso. Putin já pediu provas ou então um pedido de desculpas formal por parte do Reino Unido.

Além desta situação, o conflito na Síria, a alegada interferência russa nas eleições dos EUA em 2016 e a anexação da Crimeia em 2014 também abanaram as relações de Moscovo com o Ocidente.