Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Snowden ataca Facebook: “Eles não são vítimas. São cúmplices”

GETTY IMAGES

Depois de ter sido conhecido um roubo de informações privadas que poderá ter chegado a 50 milhões de perfis do Facebook, Snowden tece fortes críticas à rede social de Zuckerberg. “O Facebook faz dinheiro a explorar e a vender os detalhes íntimos da vida privada de milhões de pessoas, muito além dos detalhes que voluntariamente partilhamos”

O Facebook está a atravessar aquela que já é considerada uma das maiores falhas de segurança na sua história e Edward Snowden tem algumas palavras ácidas para dirigir à rede social de Mark Zuckerberg. No Twitter, Snowden deixou a sua opinião sobre o escândalo: "O Facebook faz dinheiro a explorar e vender os detalhes íntimos da vida privada de milhões de pessoas, muito além dos detalhes que voluntariamente partilhamos. Eles não são vítimas. Eles são cúmplices".

Em causa está uma quebra na segurança do Facebook que pode ter levado as informações de 50 milhões de perfis a serem usadas por uma empresa, a Cambridge Analytica, que trabalhou com a campanha pelo Brexit e pela eleição de Donald Trump. Uma investigação do britânico "Observer" e do "The New York Times" revelou este fim de semana que os dados de uma porção mais pequena de utilizadores foram vendidos à Cambridge Analytica por uma aplicação que supostamente recolheria os dados para fins académicos. Mas a partir daí a Cambridge Analytica terá chegado às informações de uma rede de amigos e conhecidos bem mais vasta, com o objetivo de identificar personalidades e padrões de comportamento que foram úteis para montar uma máquina de propaganda eficaz e influenciar os resultados de referendos e eleições.

Este fim de semana, o Facebook reconheceu a quebra de segurança, embora não na magnitude que os jornais noticiaram, e culpou a empresa e a aplicação que a ajudou pela "fraude". Mas Edward Snowden, um antigo funcionário da CIA que se celebrizou precisamente por passar informações confidenciais à imprensa para denunciar, entre outras coisas, violações de privacidade, tem tecido fortes críticas à rede social.

No Twitter, Snowden referiu-se à investigação nestes termos: "Negócios que fazem dinheiro recolhendo e vendendo registos detalhados de vidas privadas eram antigamente descritos como 'empresas de vigilância'. A sua reinvenção enquanto 'redes sociais' é o engano mais bem sucedido desde que o Departamento de Guerra mudou de nome para Departamento de Defesa.

Na mesma rede social, Snowden tem republicado tweets que acusam o Facebook de só reconhecer a quebra de segurança quando soube que a imprensa estaria prestes a noticiá-la, tendo guardado segredo desde 2015.