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Eleições russas entre a grande afluência à urnas e denúncias de fraude

SERGEI ILNITSKY

Salvo uma grande surpresa, os 107 milhões de eleitores russos vão confirmar nas eleições deste domingo que Vladimir Putin continuará no Kremlin até 2024. Oposição apela ao boicote e denuncia fraudes, enquanto a comissão eleitoral fala de “uma afluência em muitas regiões superior às da eleições de 2012”. As últimas urnas fecham em Kalinegrado pelas 20horas locais (17h em Lisboa), num processo acompanhado por 1500 observadores internacionais, exceto na Crimeia que há exatamente 4 anos foi anexada pela Rússia.

Mais de 59,5% % dos 107 milhões de eleitores tinham votado até às 19h00 de Moscovo (15h em Lisboa) com “uma afluência em muitas regiões superior às da eleições de 2012” segundo o presidente da comissão central de eleições, Nikolai Bulayev, citado pela agência Tass, num último balanço nacional de um ato eleitoral que perpassa 11 fusos horários e que começou ao fim da tarde de sábado.

Os resultado oficiais só serão anunciados esta segunda-feira e a taxa de participação do eleitorado é talvez a única incógnita de relevo na atribuição a Putin de um quarto mandato à frente dos destinos da Rússia. Sondagens à boca das urnas apontam para uma participação eleitoral entre 63 e 67%.

Com Alexei Navalny, o principal opositor afastado judicialmente da corrida, Putin, com 70% das intenções de voto, corre praticamente só. Dos outros sete candidatos que se apresentaram às eleições, o mais próximo com 7% das intenções de voto é o comunista Pavel Groudini, seguido do ultranacionalista Vladimir Jirinovski, com 5%.

Ao princípio da tarde de hoje (16 horas de Lisboa), o site da Golos, a organização não-governamental de proteção do direito de voto e que monitoriza as eleições na Rússia – dava conta de 2309 irregularidades em todo o país como a obstrução ao trabalho dos observadores, violação de urnas de voto ou a existência de votos múltiplos. Irregularidades atestadas nas redes sociais por muitos dos cerca de 33 mil observadores voluntários que o movimento de apoio a Alexey Navaly destacou para acompanhar o processo eleitoral.

Ivan Zhdanov, um assessor de Alexei Navalny, disse à Reuters, que muitas pessoas estão a ir votar contratadas pelos próprio patrões. “Parece-nos uma 'eleição do autocarro' ”, afirmou Zhdanov num encontro com jornalistas, em Moscovo. “Grandes quantidades de pessoas estão a ser trazidas em autocarro por certas organizações”.

A Reuters dá conta que muitos dos seus jornalistas destacados para acompanhar as eleições em todo o país relatam que muitos votantes dizem ter sido instruídos pelos seus patrões a votar, com muitas pessoas a tirarem fotografias a si próprias nas assembleias de voto para provarem que tinham votado.

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