Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

50 milhões de perfis do Facebook roubados para influenciar Brexit e eleição de Trump

FOTO Dado Ruvic /REUTERS

Denúncias de ex-funcionários descrevem como a Cambridge Analytica, que trabalhou na campanha do Brexit e na eleição de Trump, roubou dados pessoais de milhões de utilizadores para montar uma máquina de propaganda eficaz. A investigação agora em curso poderá revelar um dos maiores escândalos da história do Facebook

Os testemunhos de antigos trabalhadores e fundadores da Cambridge Analytica, uma empresa de análise de dados, estão a revelar o que poderá ser um dos maiores escândalos da história do Facebook. É que a empresa, que trabalhou nas campanhas de Donald Trump e do Brexit, terá recolhido sem consentimento os dados pessoais de 50 milhões de utilizadores da rede social, segundo as mais recentes denúncias.

A investigação do "The New York Times" e do britânico "Observer" explica que a Cambridge Analytica - que terá sido batizada assim apenas para fingir uma associação à famosa Universidade de Cambridge, e por arrasto conseguir credibilidade - começou por prometer aos clientes uma análise de dados em massa que permitira identificar padrões de comportamento e de personalidade, tornando mais fácil estabelecer alvos para fazer propaganda e informação direcionada a um público específico.

O problema terá sido a forma como conseguiu obter a matéria-prima do seu trabalho, isto é, os dados pessoais. Segundo a investigação, uma aplicação chamada "thisisyourdigitallife", do professor de Psicologia em Cambridge Aleksandr Kogan, começou por recolher, com o consentimento dos utilizadores, dados pessoais que constavam das contas de Facebook de 270 mil pessoas, supostamente para fins académicos.

Mas Kogan usou essas informações para fazer negócio: vendeu-as à Cambridge Analytica, que precisava delas para pôr em marcha o sistema que tinha idealizado - e que já tinha convencido grandes figuras do Partido Republicano que acabariam por se envolver na campanha de Trump, como Robert Mercer, ou o editor do site de extrema-direita Breitbart, Steve Bannon.

Facebook queixa-se de "fraude" e "mentiras"

O Facebook teve conhecimento do negócio, que quebra as regras da rede social, e denunciou a "fraude". Em comunicado, a rede social acusa Kogan de "mentir e violar as regras", apresentando a sua aplicação como uma inocente "aplicação de investigação usada por psicólogos". E confirma que já expulsou o acesso à rede social tanto a Kogan como a Cambridge Analytica.

Mas segundo as denúncias feitas por Christopher Wylie, antigo funcionário da empresa, os números não se ficam pelos 270 mil utilizadores. É que a partir dessas contas de Facebook, a Cambridge Analytica terá tido acesso aos dados dos amigos e dos amigos de amigos desses perfis, chegando a um número total que ronda os 50 milhões de utilizadores. E construiu dessa forma uma base de dados eficaz, utilizada para mandar mensagens muito específicas e direcionadas durante as campanhas pelo Brexit e pela eleição de Donald Trump.

"Explorámos o Facebook para roubarmos milhões de perfis de utilizadores, e construímos modelos para explorarmos aquilo que sabíamos sobre eles, para nos dirigirmos aos seus demónios interiores", explica agora Christopher Wylie.

"Eles querem travar uma guerra cultural e este era o arsenal de armas. Estão a brincar com a psicologia de um país inteiro". Ou de dois: tanto os Estados Unidos como o Reino Unido têm já investigações abertas sobre a Cambridge Analytica.

  • Redes sociais e fake news: quando a mentira é verdade

    Fake news nascem na internet, tornam-se virais nas redes sociais e são tidas como verdade por muita gente. Acredita-se que contribuíram para o ‘Brexit’ e a vitória de Trump. Neste Dia das Mentiras saiba como nascem estas não-verdades, quem as cria, com que fins, como se propagam e que se pode fazer para limitar o efeito das campanhas de desinformação

  • Robert Mueller já entrevistou Bannon sobre ligações de Trump à Rússia

    Conteúdo da entrevista a dois tempos, que terá durado cerca de 20 horas no total, ainda não é conhecido. Na quinta-feira, o ex-chefe de estratégias da Casa Branca de Trump voltou a recusar-se a prestar depoimento na Câmara dos Representantes sobre o alegado conluio entre a campanha republicana e o Kremlin