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Internacional

Hackers russos atacaram centrais elétricas na Europa

Sergei Malgavko

Invasão dos sistemas que controlam infraestruturas energéticas europeias e também norte-americanas intensificaram-se a partir de 2015. Empresas privadas de segurança tecnológica e o Departamento de Segurança Nacional dos EUA vêem nos ciberataques um sinal de que Moscovo tem capacidades para cortar a eletricidade e sabotar estas infraestruturas cruciais dos dois lados do Atlântico em caso de conflito

A administração Trump acusou na quinta-feira a Rússia de estar por trás de uma série de ciberataques executados nos últimos anos contra infraestruturas energéticas e redes elétricas dos Estados Unidos e da Europa, sublinhando que esses ataques poderiam ter permitido a Moscovo sabotar ou desligar completamente os sistemas-alvo.

Como aponta o "New York Times", tanto as autoridades norte-americanas como empresas privadas de cibersegurança consideram que estes ataques são um forte sinal de que a Rússia de Vladimir Putin pode perturbar fortemente as mais importantes infraestruturas dos dois lados do Atlântico no caso de um conflito.

Segundo informações apuradas pelo jornal, a série de ataques intensificou-se no final de 2015, na mesma altura em que a Rússia começou a interferir no processo eleitoral norte-americano que, em novembro de 2016, conduziria à eleição de Donald Trump. Na primavera seguinte, poucos meses depois da tomada de posse do 45.º Presidente norte-americano, os hackers russos já tinham conseguido comprometer alguns operadores na América do Norte e na Europa.

Um relatório publicado pelo Departamento de Segurança Nacional (DSN) dos EUA ontem aponta que, ao longo do meses seguintes, os responsáveis pelos ciberataques conseguiram aceder às máquinas que controlam os sistemas de infraestruturas críticas de produção de energia nuclear e hidráulica, bem como de redes elétricas. (O documento não identifica que sistemas foram invadidos.)

Os analistas norte-americanos dizem que os hackers alegadamente patrocinados pelo Estado russo não chegaram a sabotar nem a desligar os sistemas cibernéticos que são a base das operações nessas centrais. Contudo, sublinham que os hackers avançaram o suficiente para, em pouco tempo, poderem manipular e controlar os sistemas em causa.

"Agora temos provas de que [os russos] estão sentados ao computador ligados às infraestruturas de controlo industrial, o que lhes permite desligar efetivamente a rede elétrica ou sabotá-la", diz Eric Chien, diretor da empresa de segurança tecnológica Symantec, com base em imagens divulgadas pelo Departamento de Segurança Nacional no seu relatório. "Pelo que consigo ver, eles estiveram lá dentro. Eles são capazes de cortar totalmente a eletricidade. Tudo o que falta é algum tipo de motivação política para o fazer."

O NYT aponta que as agências de informação dos EUA estiveram a par destes ciberataques ao longo do último ano e meio e que o DSN e o FBI emitiram o seu primeiro aviso às empresas do sector no passado mês de junho.

Ontem, as duas agências decidiram tornar estas informações públicas a propósito de sanções contra indivíduos e organizações russas por causa da ingerência nas presidenciais de 2016 e destes "ciberataques maliciosos" – a primeira retaliação formal e vinculativa da administração Trump à Rússia, apesar de todas as agências secretas do país garantirem há mais de um ano que há "provas" de que Moscovo se imiscuiu no processo para ajudar o empresário a ser eleito.