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Brasil: Pelo menos três dúzias de vereadores foram assassinados desde 2016

Gustavo Basso/GETTY

Levantamento feito pelo site Congresso em Foco publicado esta sexta-feira, dia em que passa um mês do exército ter assumido a segurança no Rio de Janeiro. Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, sugere que a investigação do assassínio da vereadora Marielle Franco saia da esfera estritamente militar e inclua Ministério Público e Polícia Federal

A execução com quatro tiros na cabeça de Marielle Franco, vereadora do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e do seu motorista Anderson Gomes na quarta-feira à noite no centro do Rio de Janeiro marca uma escalada na violência contra os defensores dos Direitos Humanos no Brasil.

Marielle acumulava o exercício do cargo político na Câmara do Rio de Janeiro com a liderança feminista e do movimento negro. E além de denunciar os excessos da Polícia Militar, foi nomeada a 28 de fevereiro como relatora da comissão que acompanha a intervenção federal decretada por Michel Temer e que submete todas as forças de segurança ao comando do exército.

O caso de Marielle inclui-se num total de 36 vereadores assassinados desde janeiro de 2016 a 15 de março deste ano, de acordo com o levantamento feito pelo site Congresso em Foco, que toma por base apenas em dados tornados públicos. Inclui vereadores em funções e candidatos à reeleição nas últimas eleições municipais realizadas em outubro de 2016.

“Os crimes foram cometidos de diversas maneiras e englobam 17 estados nas cinco regiões do Brasil. A maioria foi praticada por disparos de arma de fogo, caso de Marielle Franco. O obituário seria muito maior se fossem incluídos na conta todos os ex-vereadores, candidatos a vereadores ou parentes de vereador executados por motivos políticos”, salienta o texto de Joelma Pereira, a jornalista do Congresso em Foco.

O Ceará é o estado que lidera o ranking elaborado pelo site noticioso do Parlamento brasileiro: sete vereadores assassinados, um dos quais era também presidente de Câmara. Seguem-se Maranhão e Pará com quatro vítimas, Rio de Janeiro com três, Minas Gerais e Santa Catarina com dois por cada estado.