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Expresso

Internacional

Líbia à procura de 205 suspeitos de tráfico de refugiados e migrantes para a Europa

MAHMUD TURKIA

Procuradoria emitiu mandados de detenção contra mais de duas centenas de pessoas, incluindo funcionários de embaixadas de países africanos em Trípoli e elementos dos serviços de segurança do país

A procuradoria-geral da Líbia emitiu 205 mandados de captura contra cidadãos do país e estrangeiros suspeitos de envolvimento numa alargada rede de tráfico de refugiados e migrantes para a Europa. Entre as acusações formais que sustentam esses mandados contam-se crimes de tráfico humano, homicídio e violação.

Em comunicado, o procurador líbio disse na quarta-feira que a rede que está na mira das autoridades integra elementos dos serviços de segurança líbios, líderes de campos de detenção de requerentes de asilo e funcionários de embaixadas de países africanos em Trípoli, a capital.

As investigações às redes de tráfico de migrantes estão a ser conduzidas pelas autoridades da Líbia em conjunto com a procuradoria de Itália, uma parceria criada no ano passado pelos dois países que o Mediterrâneo liga depois de Roma ter registado um aumento exponencial do número de requerentes de asilo que têm desembarcado na sua costa.

Sob esse acordo, os países têm estado a reforçar a cooperação em áreas como a Justiça, segurança marítima e serviços de informação numa tentativa de acabar com as travessias de requerentes de asilo, na sua maioria cidadãos de países africanos pobres e em guerra que continuam a tentar entrar na Europa através de Itália.

Seddik al-Sour, diretor do gabinete de investigações da procuradoria-geral líbia, diz que nos últimos meses também foi apurado que há "muitos" funcionários do departamento de Imigração líbio a participar nas redes de tráfico humano.

"Emitimos 205 mandados contra pessoas que organizaram imigração ilegal e tráfico de pessoas", algumas delas suspeitas de cometerem "atos de tortura, homicídios e violações", referiu num comunicado emitido na quarta-feira, no qual sublinha ainda que foram detetadas ligações diretas entre parte dos traficantes e o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).