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Internacional

EUA apoiam “resposta justa” do Reino Unido à tentativa de assassínio de ex-espião russo

No Conselho de Segurança, EUA sublinharam que estarão "sempre ao lado" dos britânicos dada a sua "relação especial"

Spencer Platt

Moscovo continua a rejeitar as acusações de que tentou matar Sergei Skripal no início deste mês em Salisbury, no sul de Inglaterra, com recurso a uma arma química proibida, exigindo “provas físicas” que sustentem essas alegações

A Casa Branca de Donald Trump garantiu na quarta-feira que "está solidária" com o seu "aliado mais próximo", o Reino Unido, e que apoia a "resposta justa" do governo britânico à tentativa de assassínio de um ex-espião russo no sul de Inglaterra, depois de a primeira-ministra do país ter anunciado a expulsão de 23 diplomatas da Rússia em resposta a esse ataque com uma arma química proibida.

As garantias de apoio dos norte-americanos chegaram horas depois de Theresa May ter ido ao Parlamento britânico anunciar uma série de medidas "apropriadas" em resposta ao que as secretas do país dizem ter sido "muito provavelmente" um ataque da Rússia na cidade de Salisbury.

Em comunicado, a porta-voz da presidência Trump, Sarah Sanders, acusou a Rússia de continuar a minar a segurança de uma série de países rivais e garantiu que os EUA vão fazer tudo para garantir que "este tipo de ataques abomináveis não voltam a acontecer", classificando como "justa" a resposta do governo britânico ao incidente.

"Esta última ação da Rússia enquadra-se num padrão de comportamento em que a Rússia desrespeita a ordem internacional e as suas regras, mina a soberania e a segurança de países em todo o mundo e tenta subverter e desacreditar instituições e processos democráticos do Ocidente", acrescentou a porta-voz.

A par de outros analistas, o correspondente da BBC na América, Jon Sopel, aponta que o comunicado da Casa Branca é notável pelo apoio prestado a Theresa May, depois de a administração Trump ter mantido uma postura algo dúbia face às alegações de que foi a Rússia que tentou matar o seu ex-espião e agente duplo Sergei Skripal, de 66 anos, e a sua filha Yulia, de 33.

Equipas forenses continuam a analisar o local onde Skripal e a filha foram envenenados

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Christopher Furlong

Ambos continuam internados em estado muito grave num hospital de Salisbury, depois de, a 4 de março, terem sido envenenados num centro comercial da cidade com um agente nervoso altamente perigoso – entretanto identificado pelos cientistas britânicos como sendo o Novichok, uma arma química desenvolvida pelos russos na era soviética.

Para May, "não há conclusões alternativas" que não a óbvia "culpa" da Rússia neste caso. Contudo, ao longo de mais de uma semana a Casa Branca de Trump tentou não se comprometer com as acusações, surgindo depois especulação de que o Presidente norte-americano despediu o seu secretário de Estado, Rex Tillerson, no início desta semana por causa do seu apoio às alegações do Reino Unido contra a Rússia.

Rússia quer "provas físicas"

Com "linguagem nunca antes ouvida da parte da Casa Branca" sobre a Rússia, num momento em que elementos e ex-funcionários da administração Trump continuam sob investigação por suspeitas de conluio com Moscovo antes e depois das eleições de 2016, a Casa Branca colocou-se ontem ao lado de Theresa May, já depois de a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, ter citado a "relação especial" entre os dois países para garantir que os EUA estarão "sempre ao lado" do Reino Unido.

A declaração foi proferida no Conselho de Segurança da ONU, numa reunião de emergência convocada por May para pedir o apoio incondicional de todos os países face à aparente agressão russa no seu território. Ali, o embaixador britânico Jonathan Allen acusou Moscovo de violar as suas obrigações no âmbito da Convenção para a Proibição de Armas Químicas.

Em resposta a isto, o chefe da missão russa na ONU, Vasily Nebenzya, voltou a rejeitar as acusações e a exigir "provas físicas" que as sustentem, referindo novamente que não lhe foram dados os 10 dias definidos pela mesma convenção para poder responder às acusações.

Sergei Lavrov, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, já referiu que a Rússia não terá problemas em cooperar com o inquérito ao caso Skripal caso receba um pedido formal de clarificação da parte do Reino Unido – cujo governo tinha dado a Moscovo até à meia-noite de terça-feira para responder às acusações.

May diz que medidas decididas pelo seu governo são "resposta apropriada" à gravidade do incidente em Salisbury

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Jack Taylor

Com o prazo expirado, o governo de May avançou esta quarta-feira com a expulsão de 23 diplomatas russos, dando-lhes uma semana para abandonarem o Reino Unido, naquela que é a maior expulsão de agentes estrangeiros do país desde que 31 diplomatas soviéticos foram forçados a abandonar o país em 1985 no rescaldo da deserção do agente duplo Oleg Gordievsky.

Entre as outras medidas que May anunciou para mandar uma "mensagem clara" à Rússia contam-se o congelamento de parte dos bens do Estado russo, o boicote da família real britânica e dos membros do governo ao Mundial de Futebol, que vai decorrer na Rússia este verão, e a suspensão de todos os contactos bilaterais de alto nível com Moscovo.

Em reação, o Ministério russo dos Negócios Estrangeiros criticou a "provocação grosseira sem precedentes" e acusou o governo de May de estar a "agravar seriamente" as relações com os russos ao anunciar esta "série de medidas hostis". A isto, a embaixada russa em Londres acrescentou um tweet sarcástico a mostrar uma imagem de um termómetro a marcar 23 graus negativos para referir o estado das relações entre os dois países, com a legenda: "Não temos medo do frio."