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Tusk diz que Moscovo “muito provavelmente” envenenou ex-espião 

EMMANUEL DUNAND/GETTY

A reação de Donald Tusk surge no mesmo dia em que a primeira-ministra britânica anunciou a “suspensão de contactos bilaterais” com Moscovo e a expulsão de diplomatas russos

O Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, sinalizou esta quarta-feira a Rússia como provável responsável do envenenamento de um antigo espião russo e disse que levará o assunto à cimeira de líderes da União Europeia, na próxima semana.

"Expresso a minha solidariedade com a primeira-ministra britânica, Theresa May, relativamente ao ataque brutal ordenado, muito provavelmente, por Moscovo", disse Tusk no Twitter, referindo-se ao envenenamento de Serguei Skripal, de 66 anos, e da sua filha Julia, de 33.

O comentário de Tusk surge no dia em que a primeira-ministra do Reino Unido anunciou a "suspensão de contactos bilaterais" com Moscovo e a expulsão de diplomatas russos, após ter acusado a Rússia de ser a "culpada" pelo envenenamento do ex-espião Serguei Skripal em solo britânico.

Numa intervenção no Parlamento, Theresa May anunciou a expulsão de 23 diplomatas russos do Reino Unido.

Atualmente, a Rússia conta com 59 diplomatas acreditados no Reino Unido.

Esta quarta-feira, diante da Câmara dos Comuns (câmara baixa do Parlamento britânico), Theresa May disse que a Rússia expressou "desdém" pelo desejo do Reino Unido de obter explicações sobre este caso.

Segundo May, as ações da Rússia "representam um uso ilegal da força".

A primeira-ministra britânica precisou que os 23 diplomatas russos expulsos têm uma semana para deixar o Reino Unido.

May anunciou também diversas medidas económicas e diplomáticas visando Moscovo, incluindo a decisão de pedir à família real britânica para não comparecer no Campeonato do Mundo de Futebol que se realiza este verão na Rússia. Membros do governo e representantes diplomáticos britânicos também não irão comparecer no evento desportivo.

Na segunda-feira, também numa intervenção no parlamento, Theresa May lançou duras declarações contra as autoridades russas, afirmando então que era "muito provável" que a Rússia tivesse sido responsável pelo envenenamento do ex-espião russo e da filha.

Na mesma intervenção, a primeira-ministra do Reino Unido deu a Moscovo um prazo, até terça-feira à noite, para fornecer explicações à Organização para a Proibição de Armas Químicas, esclarecendo ainda que o embaixador da Rússia no Reino Unido tinha sido convocado para explicar os acontecimentos.

A Rússia nega qualquer a responsabilidade no ataque que visou Serguei Skripal.

O ex-espião duplo de origem russa Serguei Skripal, de 66 anos, e a sua filha Yulia, de 33 anos, foram encontrados inconscientes no dia 4 de março, num banco num centro comercial em Salisbury, no sul de Inglaterra.

Dias depois, o chefe da polícia antiterrorista britânica, Mark Rowley, revelou que o ex-agente duplo russo e a sua filha tinham sido vítimas de um ataque deliberado com um agente neurotóxico, um componente químico que ataca o sistema nervoso e que pode ser fatal.

Os dois têm permanecido hospitalizados, nos cuidados intensivos, em "estado crítico, mas estável".

O Conselho Segurança da ONU reúne-se hoje de urgência para abordar este caso.