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Infanticídio choca Espanha. Agressora usou machado antes de matar Gabriel

RICARDO GARCIA/ EPA

Ana Julia Quezada, que confessou o crime, contou que a criança estava sozinha e aceitou acompanhá-la no carro. Tiveram uma discussão, agrediu-o e , num “momento de raiva”, asfixiou o filho do namorado até à morte

À falta de respostas definitivas sobre a maldade humana, quem tem a competência de julgar agarra-se às provas materiais capazes de reconstituir um crime, conduzindo aos culpados. É esse o caminho que se faz em Espanha, onde as equipas periciais encontraram esta quarta-feira o machado usado por Ana Julia Quezada para agredir Gabriel Cruz, antes de o asfixiar até à morte, porque – segundo ela – cedeu à raiva num momento de confronto.

Estava sozinho, a brincar com um pauzito. Disse-lhe: estás sozinho, anda comigo. Vou à quinta.” A declaração consta do testemunho prestado pela mulher, depois de ter confessado que o menino de oito anos, filho do namorado, morreu às suas mãos, mas nem por isso os agentes estão convencidos que seja verdade.

Segundo a versão que conta, e cujo teor a espanhola Antena 3 teve acesso, Ana Julia disse ter saído de casa, de carro, tendo encontrado a criança no caminho. Parou e convidou-o a entrar no automóvel, relatou, tendo ambos seguido para a quinta onde ela e o pai de Gabriel estavam a construir uma casa.

Quando lá chegamos comecei a pintar. Ele ficou a brincar no exterior”, disse. A certa altura ter-se-á apercebido que o menino brincava com um machado e ralhou. Foi então, garante, que Gabriel começou a insultá-la, sem lhe querer dar o objeto e gritando “não és minha mãe, não mandas em mim”.

À polícia contou que perdeu a cabeça, ficou enraivecida, e acabou por lhe tapar o nariz e a boca com as mãos, asfixiando-o. Fumou um cigarro depois, ciente que tinha um problema “importante” para resolver, decidindodepois enterrá-lo, para que Angél, o pai do menino, nunca soubesse o que tinha acontecido.

Os pais de Gabriel

Os pais de Gabriel

CARLOS BARBA/EPA

A versão parece pensada à medida, por lhe ser conveniente, pelo que os investigadores desconfiam. Ana Julia poderá estar apenas a tentar que o crime seja considerado um homicídio não planeado ou um homicídio imprudente, crimes cuja moldura penal lhe permite ficar a salvo de uma sentença perpétua – a que a lei prevê quando a vítima é uma criança.

Além do mais, há pormenores que não batem certo. A mulher disse que se desfez da roupa de Gabriel deitando-a num contentor perto de um hotel e a polícia acabou por encontrar as peças em causa num depósito de lixo, próximo da casa dos avós do menino.

Daí a importância das provas. Para que não se perca nenhuma, o juiz decretou a proibição de incineração do corpo, salvaguardando a necessidade de serem realizados mais testes. É preciso esperar também pelas respostas que proporcionem os resultados definitivos da autópsia. Tudo conta. A análise da terra e do barro presentes no cadáver, ou outros pequenos vestígios que ajudem a explicar pontas soltas.

Do que não se pode ler no rasto deixado, sobram conjeturas. As notícias falam dos ciúmes doentios de Ana Julia em relação ao enteado, com o qual nunca manteve uma boa relação, e comentam o seu eventual interesse em mudar-se com Angél para a República Dominicana (de onde é natural), projeto cuja concretização Gabriel dificultava. Sobre isso, nada terá dito à polícia.

  • Gabriel foi estrangulado. A namorada do pai já confessou o crime

    As atitudes exageradas e o desejo de protagonismo colocaram Ana Julia Quezada na mira da polícia. Considerada a principal suspeita no caso do desaparecimento de um menino de oito anos, filho do namorado, acabou por ser apanhada em flagrante com o cadáver na mala do carro. Falta saber porquê