Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Braço-de-ferro entre Presidente e PM das Maurícias por causa de Álvaro Sobrinho

Álvaro Sobrinho, durante a audição na Comissão Parlamentar do BES.

Luís Barra

Banqueiro luso-angolano investigado em Portugal por trás do escândalo político que varre as ilhas Maurícias. Agora, a Presidente recusa demitir-se depois de o PM ter anunciado a sua saída

A Presidente da República da Maurícia, Ameenah Gurib-Fakim, anunciou que recusa demitir-se, e contestou as acusações de ligação a um escândalo financeiro que envolverá também uma organização do milionário angolano Álvaro Sobrinho.

Na semana passada, o primeiro-ministro da Maurícia, Pravind Jugnauth, tinha anunciado que a chefe de Estado iria demitir-se, mas esta quarta-feira um comunicado da presidência diz que Ameenah Gurib-Fakim pode provar que não tem qualquer envolvimento no escândalo financeiro e que "rejeita qualquer perspetiva de demissão".

A única mulher na presidência de um país em África disse ainda que vai "instaurar uma ação na justiça para se defender das acusações caluniosas" de que é alvo.

Há duas semanas, a oposição trabalhista avançou com uma moção de censura contra a presidente mas não serviu para derrubar a mulher eleita em junho de 2015, até porque a oposição está em minoria no parlamento.

Ameenah Gurib-Fakim, 58 anos, foi a primeira mulher a ocupar o posto no país.

Bióloga reconhecida internacionalmente, Gurib-Fakim tem sido alvo de pressão, devido a acusações de que utilizou um cartão bancário fornecido por uma organização não-governamental para fazer compras pessoais.

O caso foi revelado no início do mês pelo jornal local "Express", que publicou documentos bancários.

Segundo o diário, a ONG em causa é o Planet Earth Institute, financiada pelo milionário angolano Álvaro Sobrinho, que está a ser investigado por suspeitas de irregularidades em Portugal.

O "Express" indicou que Gurib-Fakim utilizou o cartão para fazer compras no estrangeiro no valor de pelo menos 25.000 euros.

A República da Maurícia tem o estatuto de observador associado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).