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Internacional

Turquia anuncia cerco a enclave curdo no norte da Síria

Grupos de rebeldes sírios como o Exército para a Libertação da Síria estão a apoiar a ofensiva de Ancara contra as YPG

Anadolu Agency

Quase dois meses depois de ter lançado a ofensiva Ramo de Oliveira, Ancara anunciou esta terça de manhã que as suas tropas e os rebeldes sírios aliados já conquistaram "áreas de enorme importância" em redor da região de Afrin

O Exército da Turquia anunciou esta terça-feira de manhã que já cercou a cidade de Afrin, no norte da Síria, um enclave curdo que tem sido o grande alvo da ofensiva lançada por Ancara no país vizinho há quase dois meses para travar os avanços dos curdos no terreno.

Em comunicado, as forças armadas turcas disseram que os seus soldados e os rebeldes sírios que se aliaram a Ancara, entre eles o Exército para a Libertação da Síria (ELS), conseguiram capturar "áreas de enorme importância" ao redor da região de Afrin, na prática cercando totalmente aquela área.

Pelas 8h30 da manhã em Lisboa, esta informação ainda não tinha sido confirmada pelas milícias curdas no local, as Unidades de Proteção do Povo (YPG), que estão desde 20 de janeiro a lutar contra os avanços turcos no âmbito da ofensiva Ramo de Oliveira, que o governo de Recep Tayyip Erdogan inaugurou nesse dia.

Para o Presidente turco, as YPG são uma extensão do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), um movimento de turcos curdos que está há mais de três décadas a lutar pela sua autodeterminação no sudeste da Turquia.

Desde o início da guerra na Síria, em particular desde que ganharam destaque nesse conflito, as YPG têm negado repetidamente qualquer ligação organizacional ao PKK, uma versão que é sustentada pelos Estados Unidos da América. Até há bem pouco tempo, e contra a vontade da Turquia, Washington estava a apoiar os curdos da Síria com armas e com uma campanha de bombardeamentos aéreos para derrotar o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) na Síria.

Para Erdogan, qualquer avanço das YPG no norte da Síria pode galvanizar as aspirações de autonomia dos curdos turcos no país, pelo que o seu governo tem mantido uma dupla ofensiva na nação vizinha para eliminar os jiadistas do Daesh mas também os curdos.