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Internacional

Trump invoca “segurança nacional” para bloquear maior OPA do sector tecnológico

Paul E. Jacobs é o atual presidente executivo da Qualcomm

Kevork Djansezian

No que o “New York Times” diz ser uma “decisão muito pouco comum”, o Presidente norte-americano citou “provas credíveis” de que a oferta de 140 mil milhões de dólares (€113,6 mil milhões) da Broadcom, com sede em Singapura, para comprar o fabricante de microchips norte-americana Qualcomm “ameaça prejudicar a segurança nacional dos EUA”

O Presidente dos Estados Unidos ordenou esta segunda-feira à Broadcom que desista de comprar a norte-americana Qualcoom, sobre a qual a empresa de Singapura lançou uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) "hostil" avaliada em 140 mil milhões de dólares (113,5 mil milhões de euros), sob o argumento de que o negócio representa uma ameaça para a "segurança nacional" dos EUA.

“A aquisição da Qualcomm está proibida e qualquer fusão, aquisição ou inclusão substancialmente semelhante, seja direta ou indireta, também está proibida”, dita Donald Trump na ordem presidencial que ontem assinou para travar a oferta, uma decisão "muito pouco comum" segundo o jornal "New York Times".

No documento, o Presidente norte-americano alega que a OPA, que poderia ser a maior de sempre do sector tecnológico, “ameaça prejudicar a segurança nacional dos Estados Unidos”. A OPA colocaria o maior fabricante norte-americano de microchips para telemóveis nas mãos de uma empresa sediada na Ásia.

A Broadcom lançou a OPA sobre a Qualcomm em novembro passado a um preço de 70 dólares (cerca de 57 euros) por ação, preço esse que aumentaria depois para 82 dólares (66,5 euros), com as duas ofertas a serem rejeitadas pelo conselho de administração da empresa californiana.

Para alguns analistas, um potencial acordo entre as duas empresas daria à gigante de telecomunicações chinesa Huawei a oportunidade de ocupar o primeiro lugar na corrida à tecnologia wireless 5G – a quinta geração de internet móvel – na prática ultrapassando a Qualcomm. Os analistas do mercado consideram que assim que a decisão de Trump, grande defensor de políticas proteccionistas, poderá ter por base questões de competitividade empresarial e não de "segurança nacional" como o próprio referiu.

"Dado o atual clima político nos EUA e noutras regiões do mundo, toda a gente está a assumir uma visão mais conservadora sobre fusões e aquisições para proteger os seus domínios", diz à BBC Mario Morales, vice-presidente da empresa tecnológica IDC. "Estamos todos no início da corrida e o 5G é a jóia da coroa que toda a gente quer para si – e cada região está a correr em direção a ela. A tecnologia de semicondutores e empresas como a Qualcomm serão uma arma importante na corrida ao 5G e os EUA, como outras nações e regiões, quer ficar em primeiro lugar."