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Internacional

Singapura fura embargo à Coreia do Norte com produtos de luxo, acusa a ONU

KCNA

Um relatório preliminar da organização acusa duas empresas de Singapura de violar as sanções impostas à Coreia do Norte ao vender vinho e bebidas espirituosas ao país, entre outros bens de luxo, prática que está proibida pela ONU desde 2006

Duas empresas de Singapura são acusadas de violar as sanções impostas pelas Nações Unidas (ONU) à Coreia do Norte, diz um relatório preliminar da organização que agora se fez público. Em causa, está o alegado fornecimento de produtos de luxo ao país, prática que está proíbida desde 2006 pela ONU e que também foi adotada anos atrás por Singapura.

No relatório, cuja versão final deverá ser publicada no final desta semana de acordo com a BBC, são mencionadas duas empresas de Singapura, mas também surgem empresas de outros países asiáticos. A OCN e a T Specialist - cujo diretor é o mesmo para as duas empresas - são acusadas de terem vendido, pelo menos até julho de 2017, bens de luxo tais como vinho e outras bebidas espirituosas, furando assim o embargo imposto à Coreia do Norte.

O governo da ilha avançou, entretanto, que está a par do caso e que foi iniciada uma investigação para determinar se as informações são credíveis ou não. Já as duas empresas acusadas negam ter cometido qualquer irregularidade.

Mas as informações incluídas no relatório não se ficam por aí. A OCN e a T Specialist são também acusadas de possuírem uma conta num banco norte-coreano, o Daedong Credit Bank, a partir da qual circularam "transações no valor de mais de 2 milhões de dólares" (1,6 milhões de euros) alegadamente provenientes da venda dos produtos, e transferidas para a conta bancária da T Specialist, em Singapura.

A T Specialist já veio negar esta acusação e testemunhou perante a ONU que esses fundos não vieram da Coreia do Norte, mas sim de uma empresa registada em Hong Kong.

Ambas empresas encontram-se agora sob investigação. O advogado dos acusados, Edmond Pereira, referiu, citado pela BBC, que os seus clientes "estabeleceram negócios com a Coreia do Norte" mas "antes das sanções da ONU". Acrescentou ainda que as empresas "têm reduzido o seu envolvimento" mas que "estas coisas levam um pouco de tempo".

A proibição total do comércio com a Coreia do Norte foi adotada em Singapura recentemente. Até novembro de 2017, alguma trocas comerciais com Pyongyang eram ainda permitidas. Por este motivo, Edmond Pereira alega que estas modificações na lei dificultam a sua aplicação pelas empresas, que muitas vezes não estão informadas das alterações.

As sanções, à escala global, contra o regime de Kim Jong-un têm vindo a ser reforçadas nos últimos anos. Mesmo com a recente aproximação entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, assim como o inesperado encontro agendado entre o líder norte-coreano e Trump, as sanções contra o país são para manter - tal como a ONU e os Estados Unidos têm defendido.