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Internacional

UNICEF: para as crianças, 2017 foi o ano mais mortífero na Síria

Crianças sírias encurraladas em Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco

ABDULMONAM EASSA

O relatório também indica que quase todas as crianças sírias experienciaram piores condições de vida em 2017 do que em 2016. A falta de comida assolou o país, com os mais pequenos a sofrerem com a falta de nutrientes necessários

A conclusão é da UNICEF: as crianças sírias enfrentam, atualmente, uma crise psicológica sem precedentes e um perigo cada vez maior. No ano passado, morreram 910 crianças na Síria, mais 50% do que em 2016 e o maior número de mortes registadas desde o início do conflito, em 2011, diz um relatório da Unicef.

As crianças que estão em risco enfrentam ameaças crescentes como serem permanentemente torturadas pela luta ou marcadas emocionalmente pelos abusos que lhes são feitos, incluindo trabalho e casamentos forçados, escassez de alimentos e acesso mínimo à saúde ou educação, diz o jornal britânico “The Guardian”. “Há marcas nas crianças que nunca vão ser apagadas”, disse o diretor da UNICEF do Médio Oriente e do norte de África, Geert Cappelaere. “A proteção destas crianças em todas as circunstâncias tem de existir”, acrescentou.

O relatório indica que quase todas as crianças sírias experienciaram piores condições de vida em 2017 do que em 2016. A falta de comida assolou o país, com os mais pequenos a sofrerem com a falta de nutrientes necessários. Mais de 12% dos jovens sírios estão desnutridos.

Em termos psicológicos, os efeitos são alarmantes. “As condições deles requerem tratamentos especializados. Enquanto crianças, as suas necessidades diferem das dos adultos: o corpo em constante mudança pede mais cuidados e não os têm”, disse Geert Cappelaere. Mais de 13 milhões de pessoas que vivem na Síria precisam de assistência humanitária - e mais de metade delas são crianças, refere a UNICEF.

Durante estes primeiros meses de 2018 houve um aumento grande da violência em Idlib, uma das províncias sírias que está tomada pelos rebeldes, Ghouta oriental, nos arredores de Damasco, e em Afrin, perto da fronteira turca. O regime sírio e a Rússia têm bombardeado Idlib e Ghouta, enquanto a Turquia tem feito ataques aéreos em Afrin.

O relatório da ONU realça que é “muito complicado” chegar às crianças em maior necessidade - para auxiliar com comida, medicamentos ou roupa. Em 2017, um ano marcado pelos ataques em Alepo e em Ghouta oriental, o apoio humanitário foi negado 105 vezes. Instalações de saúde, incluindo hospitais, foram repetidamente atacados em Ghouta. Em 2017, houve 75 ataques aéreos em centros de educação como escolas, e de saúde, como hospitais, diz a UNICEF. “A estratégia do regime de Bashar al-Assad é muito clara”, disse ao “The Guardian” Chamsi, um habitante na cidade de Douma, vizinha de Ghouta.