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Professores e funcionários de escolas dos EUA vão receber treino para uso de armas

14 das 17 vítimas mortais do tiroteio no liceu Marjory Stoneman Douglas eram alunos

RHONA WISE / AFP / Getty Images

Casa Branca anunciou, no domingo, que vai usar fundos do Departamento da Justiça para “endurecer” o ensino público para prevenir tiroteios em massa como o que, há um mês, causou 17 mortos e 15 feridos num liceu da Flórida

A administração de Donald Trump vai recorrer a fundos do Departamento da Justiça para que professores e auxiliares de educação aprendam a usar armas de fogo, uma forma de “endurecer” as escolas contra tiroteios em massa como aquele que, a 14 de fevereiro, provocou 17 mortos e 15 feridos no liceu Marjory Stoneman Douglas, na Flórida.

O anúncio foi feito no domingo, pela Casa Branca, numa conferência de imprensa na qual um funcionário do governo federal avançou que as autoridades de segurança interna também vão envolver-se com os estados para criarem campanhas de sensibilização que previnam este tipo de ataques.

As campanhas serão semelhantes à iniciativa “Se virem algo, denunciem”, que foi lançada no rescaldo dos atentados de 11 de setembro de 2001 para encorajar a vigilância dos cidadãos face a potenciais suspeitas de terrorismo. Segundo Andrew Bremberg, diretor do conselho de políticas domésticas da administração Trump, parte do trabalho do governo federal junto dos estados terá como objetivo garantir o “treino rigoroso” de “pessoal qualificado de escolas” para que, a “título voluntário”, aprendam a usar armas de fogo.

Para já, ainda não se sabe quanto dinheiro será alocado para estes programas, que vêm ofuscar anteriores propostas do Presidente para acabar com a proliferação de armas nas mãos de cidadãos, entre elas aumentar a idade mínima legal para se adquirir determinado tipo de armas.

A sugestão feita por Trump no rescaldo do ataque de fevereiro ao liceu da Flórida gerou choques entre a presidência e a National Rifle Association (NRA), a maior organização pró-armas dos EUA, responsável por mais de 30 milhões de dólares (24,4 milhões de euros) em doações a Trump desde que este anunciou a sua intenção de se candidatar à Casa Branca.

Na sexta-feira, a NRA abriu um processo judicial contra a Flórida após uma maioria dos legisladores daquele estado ter aprovado um projeto-lei para aumentar a idade mínima a partir da qual os cidadãos podem comprar metralhadoras e outras armas de fogo mais potentes.

Depois de ter feito frente à organização de lóbi e de ter exigido aos republicanos do seu partido que “não tenham medo” dela, o Presidente abandonou a ideia de promulgar legislação federal semelhante a essa. Desde o massacre de há um mês, a Casa Branca apoiou um projeto-lei bipartidário para melhorar o sistema de verificação prévia de potenciais compradores de armas mas recusou-se a apoiar uma segunda medida para acabar com algumas das lacunas legais já identificadas nesse sistema.

Face ao passo atrás de Trump, a Casa Branca e membros da sua administração estão a tentar passar a ideia de que o Presidente continua investido em combater o flagelo das armas de fogo nos EUA, fazendo um contraponto entre ele e anteriores administrações norte-americanas. Foi esse o caso ontem com a controversa secretária da Educação, Betsy DeVos, que numa entrevista declarou: “Já tivemos de discutir este tópico demasiadas vezes ao longo dos anos. Tem havido muita conversa mas pouca ação”.