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Internacional

Reeleita presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen quer mudar o nome do partido

THIBAULT VANDERMERSCH

Era a única candidata à presidência do partido e foi reeleita sem surpresas. A filha de Jean-Marie Le Pen teve 100% dos votos e os resultados foram proclamados este domingo na convenção do partido. Agora quer abandonar o nome Frente Nacional e relançar a força política para as europeias

A líder da Frente Nacional foi reeleita presidente do partido e começa o terceiro mandato com algumas mudanças no horizonte. Marine Le Pen era a única candidata à sua sucessão e teve 100% dos votos expressos (após uma votação por correspondência) e os resultados foram proclamados este domingo na convenção do partido.

À tarde, Le Pen vai propor um novo nome para o partido fundado pelo pai, Jean-Marie Le Pen, numa tomada de posição que está a ser vista como uma tentativa de mudar o rumo do movimento de extrema-direita. Agora Marine Le Pen quer transformar o seu partido num verdadeiro partido de Governo e vai apostar em três novas linhas orientadoras: "implantar-se, aliar-se, governar". A quebra com a tradição do partido de extrema-direita (marcado pela cultura de oposição e pouco familiarizado com alianças) é notória, mas os objetivos são claros e podem pôr as forças políticas tradicionais em alerta.

Com as eleições europeias de 2019 como alvo prioritário, Le Pen manifestou a intenção de apresentar uma lista de "união" dos "nacionais" contra os "mundialistas", num contexto em que a força das classes políticas tradicionais parece desvanecer-se. A mudança de nome da FN — que deverá ser anunciada este domingo — será votada depois do congresso, mas nem todos estão de acordo com a possível alteração. A ala mais tradicional do partido considera-a uma traição à história da formação política.

Depois de sete anos de liderança sem uma oposição de relevo (Marine era quase incontestável dentro do partido), a presidente da Frente Nacional enfrenta uma oposição interna inédita. Na linha da frente estão setores do partido que atribuem a derrota de Marine nas presidenciais à má prestação que teve no derradeiro debate televisivo com Macron.

Florian Philippot, antigo número dois de Marine Le Pen e considerado um renovador do partido, saiu da FN e criou a sua própria força política. O nascimento deste partido alternativo, fundado para disputar o eleitorado de extrema-direita com Marine, está a ser visto como um símbolo da desunião na FN (que contrasta com os números da reeleição).