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Internacional

Putin garante não alterar a Constituição para se manter no poder

O Presidente russo foi entrevistado por Megyn Kelly, da televisão norte-americana NBC. A entrevista decorreu no Kremlin, em Moscovo

MIKHAIL KLIMENTYEV/SPUTNIK/KREML

Em entrevista ao canal de televisão norte-americana NBC, publicada no site do Kremlin, o Presidente falou sobre as presidenciais russas e mostrou-se disponível para colaborar com a oposição. Putin voltou a negar que tenha mandado interferir nas eleições norte-americanas

O Presidente russo assegurou este sábado que não pretende alterar a Constituição para continuar no poder em 2024, uma vez que a Magna Carta impede mais de dois mandatos consecutivos. "Eu nunca fiz alterações à Constituição, muito menos para meu próprio benefício. E, até hoje, continuo a não ter esses planos", disse Vladimir Putin ao canal de televisão norte-americana NBC, uma entrevista publicada no site do Kremlin.

Vladimir Putin — que deixou o Kremlin em 2008, depois de ter exercido dois mandatos consecutivos, e regressou quatro anos depois como primeiro-ministro — espera ser reeleito nas eleições presidenciais de 18 de março. Reconheceu, na entrevista, que pensou no seu possível sucessor desde que assumiu o cargo em 2000, mas que, no final, "a decisão final será tomada pelo povo russo".

Aos 65 anos, o político negou que a sua idade seja um obstáculo, afirmando que, no mundo, incluindo os EUA e a Europa, há muitos como ele, que são chefes de Estado. "Se uma pessoa chegar ao primeiro lugar deve trabalhar ativamente como se fosse a primeira vez na sua vida, como a primeira e a última", defendeu. Relativamente às eleições presidenciais, em que parte como grande favorito, afirmou: "se os eleitores me derem a oportunidade de exercer um novo mandato, então darei até à última gota". Mostrou-se ainda disposto a cooperar com a oposição, incluindo a extraparlamentar, mas no caso do líder da oposição, Alexei Navalni, que foi afastado como candidato presidencial por ter antecedentes criminais, defendeu que este deve merecer o perdão presidencial.

O Presidente da Rússia disse ainda na entrevista que lhe "é absolutamente igual" se cidadãos russos forem condenados por ingerência nas eleições presidenciais norte-americanas de novembro de 2016, porque, afirmou, "não representam os interesses do Estado russo".
Putin, que voltou a negar que tenha mandado interferir nas eleições norte-americanas, lembrou que a Rússia só pode processar quem viola a lei russa.

A QUESTÃO CHINESA

Em referência à China, onde o Presidente Xi Jinping propôs alterar a Constituição para permanecer no poder em 2023, Vladimir Putin lembrou que "na China vivem (quase) 1,5 mil milhões de pessoas". "Tendo isso em mente, há que pensar que estamos todos interessados em que a China seja um estado estável e próspero", afirmou.