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Internacional

Quem será mais castigado pelas novas taxas alfandegárias de Trump?

Pequim, que é a 11.ª fonte de aço importado pelos EUA, já prometeu "respostas adequadas" ao passo "nocivo" de Trump

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A China tem sido o bode expiatório do protecionismo de Donald Trump, mas o país será pouco abalado pelas novas tarifas que a administração norte-americana vai começar a aplicar já este mês sobre as importações de alumínio e aço. Grandes aliados dos EUA e os próprios trabalhadores americanos que o Presidente diz querer proteger deverão ser os mais penalizados

A Casa Branca prometeu e cumpriu. Na quinta-feira, Donald Trump promulgou um decreto para começar a aplicar, já a partir da próxima semana, taxas alfandegárias sobre todo o aço e alumínio que entra nos Estados Unidos da América.

A "guerra comercial" prometida pelo candidato Trump e inaugurada pelo Presidente Trump esta semana tornará as exportações de metais mais caras para uma série de países e, contrariamente à sua retórica de campanha e de presidência, não será a China a ser mais penalizada por ela.

Com a promulgação do decreto, a administração norte-americana deixou aberta a possibilidade de cada país negociar isenções caso aceitem dirimir as "ameaças" que o seu respetivo comércio externo representa para os interesses dos EUA. "Por agora", acrescentou o governo federal, o Canadá e o México estarão isentos destes impostos alfandegários de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio.

Dados do gabinete federal de trocas internacionais analisados pelo "Business Insider" há alguns dias mostram que os mais penalizados por estas medidas serão, acima de tudo, aliados de longa data dos EUA. Retirando da lista o Canadá, que foi a maior fonte de importações norte-americanas de aço no ano passado, as novas taxas vão pesar sobretudo nos ombros do Brasil e da Coreia do Sul, o primeiro responsável por 13% do aço que os norte-americanos compraram ao estrangeiro em 2017, o segundo por 10%.

Para Trump, esta e outras potenciais medidas são necessárias para reforçar a produção doméstica e para proteger os trabalhadores do país que, na óptica do seu Presidente, têm estado a sofrer com as regras "injustas" do comércio global e a competição "desleal" de potências como a China. A realidade demonstra, contudo, que Pequim será pouco penalizada pelas novas tarifas (surge em 11.º lugar na lista de grandes fornecedores de aço) e, acima disso, que poderá ser a força laboral norte-americana a mais castigada pela decisão de Trump.

Como apontava ontem a revista "Fortune", com base em dados compilados pela Trade Partnership (TP), "estas taxas alfandegárias poderão, em última instância, custar mais postos de trabalho à América do que aqueles que serão criados" graças a elas.

O que os investigadores da TP apuraram foi um efeito bola de neve: "a par da perda de empregos no sector industrial, as taxas vão ter repercussões em indústrias que prestam apoio ao setor metalúrgico". O custo mais elevado de aço e do alumínio fará assim aumentar os preços dos bens produzidos a partir desses materiais, o que, por sua vez, poderá afetar negativamente o consumo e, consequentemente, causar ainda mais danos às indústrias que são mais sensíveis aos hábitos de compras dos norte-americanos.

Apesar de os EUA serem o maior importador de aço do mundo, a quantidade de aço produzido pelo país durante os primeiros nove meses de 2017 ultrapassou a quantidade de aço que foi comprado ao estrangeiro durante o mesmo período. Os dados citados pelo "Business Insider" mostram que, contra as 61,5 milhões de toneladas de aço produzidas dentro dos EUA no ano passado, foram importadas 26,9 toneladas.

Depois de o principal conselheiro económico de Trump se ter demitido por discordar destas medidas, a comunidade internacional parece estar igualmente unida num coro de condenações que está a ecoar entre quase todas as indústrias norte-americanas. Ontem, a comissária europeia Cecilia Malmström avisou que há "milhares de postos de trabalho em risco na Europa" por causa das novas taxas sobre importações norte-americanas. Logo a seguir, a Reuters ecoou os alertas sobre os riscos que estas representam para o emprego e para o investimento nos próprios EUA.