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Envenenamento de ex-espião russo contaminou 21 pessoas

O carro de Sergei Skripal também foi selado, bem como a garagem da família e as campas da mulher e do filho do ex-espião russo

Rufus Cox/GETTY IMAGES

O Reino Unido acabou de alargar a investigação à tentativa de homicídio de Sergei Skripal com recurso a um gás tóxico proibido no Sul de Inglaterra e mandou selar as campas da mulher e do filho do ex-espião

A investigação à tentativa de homicídio de Sergei Skripal no sul de Inglaterra com aparente recurso a um gás tóxico banido por tratados internacionais adensou-se na quinta-feira, após a polícia britânica ter selado a área ao redor das campas da mulher do ex-espião russo, Liudmila, e do seu filho, Alexander, e após ter confirmado que 21 pessoas estão a receber tratamento médico na sequência do incidente.

Entre elas conta-se Nick Bailey, um agente da polícia que esteve exposto ao gás tóxico e que continua internado em estado grave mas estável. Skripal e a sua filha de 33 anos, Yulia, também continuam "inconscientes e em estado grave mas estável" no hospital, acrescentou a ministra do Interior, Amber Rudd, ao condenar a "tentativa de homicídio mais cruel e pública possível".

Num encontro com deputados ontem à tarde, Rudd não quis avançar pormenores sobre que agente tóxico terá sido usado no ataque, que segundo a Scotland Yard teve como principal alvo a família de Skripal – um ex-coronel dos serviços secretos russos que, no início dos anos 2000, foi julgado e condenado a prisão por ter passado informações confidenciais da Rússia ao Reino Unido, sendo mais tarde libertado numa troca de prisioneiros entre os dois países.

Sobre a substância química que poderá ter sido usada no crime, Rudd disse apenas que os especialistas do laboratório de Porton Down já a identificaram e que "é muito rara". O uso de um agente tóxico nervoso, possivelmente gás sarin ou o agente VX, é um fator-chave nas suspeitas de envolvimento de Moscovo na tentativa de assassinato.

Na quinta-feira, a embaixada russa em Londres publicou um tweet sobre Skripal no qual dizia que, "na verdade, ele era um espião britânico que trabalhava para o MI6", já depois de o gabinete do Presidente russo Vladimir Putin ter garantido que não sabe "nada" sobre o "trágico" incidente.

O Presidente da Comissão Parlamentar de Assuntos Externos do Reino Unido acredita que a mulher e o filho de Skripal foram assassinadosa

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BEN STANSALL

Em 2006, Moscovo também negou envolvimento na morte de Alexander Litvinenko, um agente do FSB (ex-KGB) que desertou para o Reino Unido e que foi envenenado com recurso à substância radioativa Polónio-210. Um inquérito público concluído pelo Reino Unido uma década mais tarde apurou que foi o Kremlin a ordenar o assassinato de Litvinenko.

Skripal e a filha foram expostos ao gás nervoso no domingo num banco do centro comercial Maltings, em Salisbury, no Sul de Inglaterra. Os detetives britânicos estão a tentar perceber como é que a toxina chegou ali, sobretudo depois de ter sido sugerido que o agente Bailey foi exposto a ela dentro da casa dos Skripal e não no centro da cidade como se julgava anteriormente.

Neste momento, as autoridades estão a passar a pente fino todas as gravações do circuito de vigilância dentro e ao redor do centro comercial Maltings para detetar atividades suspeitas e encontrar mais pistas. Esta manhã, em entrevista ao Good Morning Britain da ITV, Amber Rudd disse que a grande prioridade é reunir o máximo de provas possíveis para mapear o que aconteceu.

"Independentemente do que venha a ser apurado no futuro, temos de garantir que reunimos todas as provas. A questão-chave é manter a cabeça fria e permitir que [os investigadores] continuem a fazer o seu trabalho como estão já a fazer, com a rapidez, a minúcia e o profissionalismo expectáveis".

Questionada sobre se acredita que foi a Rússia quem ordenou a tentativa de assassinato de Skripal, a ministra respondeu: "Quero esperar antes de atribuir [o crime], até apurarmos todos os factos. Confio plenamente que a polícia vai apurar isso."

O ministro da Defesa, Gavin Williamson, acrescentou no mesmo programa que a Rússia está a "tornar-se uma ameaça cada vez maior" para o Reino Unido mas também rejeitou atribuir culpas para já. "O que aconteceu é absolutamente repugnante e é importante dar à polícia o espaço e a oportunidade para que seja feita uma investigação apropriada e minuciosa."