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Internacional

Suspeito de matar a jornalista Kim Wall começa a ser julgado na Dinamarca

Desde o desaparecimento de Wall, Madsen já apresentou três histórias diferentes sobre o que aconteceu à jornalista

Mikko Suominen

O inventor Peter Madsen enfrenta acusações de homicídio e desmembramento do corpo da repórter sueca de 30 anos, que foi dada como desaparecida a 10 de agosto após ter embarcado com o dinarmaquês num dos seus submarinos

O inventor dinamarquês Peter Madsen vai começar a ser julgado esta quinta-feira pelo homicídio da jornalista sueca Kim Wall em agosto, a bordo de um dos submarinos por ele desenhado e construído. Sobre ele pendem três acusações, uma de homicídio, uma de desmembramento de cadáver e uma por "relações sexuais que não penetração de natureza particularmente perigosa".

Quando foi interrogado pela primeira vez após o desaparecimento da jornalista a 10 de agosto, Madsen começou por garantir que Wall tinha desembarcado com vida do submarino depois de uma curta viagem. Quando partes do corpo da jornalista começaram a dar à costa, o inventor assumiu que desmembrou o corpo de Wall, embora garanta até hoje que não foi responsável pela sua morte.

Ao longo das próximas semanas, a acusação deverá convocar cerca de 40 testemunhas para que forneçam mais detalhes contra o inventor, com a procuradoria empenhada em preencher as lacunas de uma história já de si macabra para tentar explicar o que aconteceu à freelancer de 30 anos que, à data da sua morte, já contava com uma carreira reconhecida à escala internacional, com artigos sobre sobre a Coreia do Norte, o Pacífico, o Uganda ou o Haiti publicados em jornais de renome como o "New York Times", o "Guardian" e o "South China Morning Post".

Kim Wall desapareceu a 10 de agosto após ter embarcado no submarino de Madsen

Kim Wall desapareceu a 10 de agosto após ter embarcado no submarino de Madsen

TT NEWS/REUTERS

A 20 de agosto, dez dias após o desaparecimento de Wall, um ciclista encontrou o seu torso desmembrado numa praia, já depois de Madsen ter sido entrevistado pelas autoridades e de ter garantido que a jornalista tinha desembarcado do seu submarino com vida.

Semanas mais tarde, a polícia descobriu outras partes do corpo de Kim dentro de sacos plásticos que deram à costa, nos quais o suspeito tinha colocado pesadas peças de metal para que fossem ao fundo. Nessa altura, Madsen alterou a sua versão dos acontecimentos e disse aos investigadores que Wall morreu num "acidente" envolvendo a escotilha de metal do submarino.

Alteraria novamente a história dias depois, ao declarar em tribunal que a sueca morreu na sequência de uma intoxicação por monóxido de carbono dentro do submarino quando ele estava no convés.

Se for declarado culpado, o inventor de 47 anos deverá ser condenado a entre 15 e 17 anos de prisão sem direito a liberdade condicional. Se a defesa conseguir provar que o réu sofre de algum tipo de distúrbio, poderá, em vez disso, cumprir a pena num hospital psiquiátrico.