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Greve das mulheres abala circulação de comboios em Espanha

Greve desta quinta-feira foi precedida de um protesto em Madrid pelo fim das desigualdades entre mulheres e homens

Marcos del Mazo

Cerca de 300 comboios vão estar parados esta quinta-feira no país perante a adesão de dez sindicatos à paralisação de 24 horas convocada para este Dia Internacional da Mulher – uma greve feminista inédita para exigir o fim das desigualdades de género

O Ministério dos Transportes de Espanha anunciou esta manhã que, ao longo desta quinta-feira, haverá muito menos comboios em circulação no país, na sequência da greve de 24 horas convocada para o Dia Internacional da Mulher por grupos feministas e sindicatos do país em defesa da igualdade de género.

Em comunicado, o Ministério espanhol disse que pelo menos 300 comboios não vão operar ao longo do dia, depois de dez sindicatos terem anunciado a sua adesão à greve de 24 horas. Para os que apoiam a paralisação, esta é necessária para chamar ainda mais atenção para as contínuas desigualdades entre homens e mulheres em coisas como o acesso ao trabalho e salários equitativos.

Os organizadores e os apoiantes da greve geral estão a pedir a todas as mulheres que não gastem dinheiro esta quinta-feira e que renunciem a qualquer trabalho doméstico em solidariedade com as restantes. Entre mulheres mais famosas que já confirmaram a sua adesão conta-se Penélope Cruz, atriz de Hollywood nascida e criada em Espanha que cancelou todos os eventos públicos planeados para este dia.

Contra os que defendem esta paralisação inédita, outros há, de uma ponta à outra do espectro político, que não concordam com ela. É o caso do Partido Popular (PP), o movimento conservador de centro-direita que está no poder em Espanha desde 2011, para o qual esta ação "só serve as elites feministas e não as mulheres reais que partilham problemas do dia-a-dia".

No início da semana, duas das cinco mulheres que ocupam cargos ministeriais no governo de Rajoy — a ministra da Agricultura, Isabel García Tejerina, e a presidente da comunidade de Madrid, Cristina Cifuentes – manifestaram o seu apoio a esta greve, angariando críticas contundentes da parte do presidente do Executivo. As autarcas de Madrid e de Barcelona, Manuela Carmena e Ada Colau respetivamente, entre várias outras políticas, também vão aderir à paralisação feminista.

De entre os sindicatos existentes em Espanha, dez vão aderir à greve mas dois dos mais poderosos pediram aos seus membros que limitem os protestos a uma paralisação de duas horas. Pelas 8h da manhã, as autoridades espanholas estavam a antever impactos na rede ferroviária e também na circulação do metro.

A antecipar a greve, o "El País" publicou esta manhã os resultados de uma sondagem junto de 1500 espanhóis, com 82% deles a darem o seu apoio à greve das mulheres e 76% a defenderem que, no geral, as espanholas têm vidas muito mais difíceis que os seus conterrâneos do sexo masculino.

Segundo dados do Eurostat divulgados esta semana, as mulheres espanholas recebem salários 13% inferiores aos dos homens pelo mesmo trabalho no setor público e menos 19% que os colegas do sexo masculino no setor privado. Portugal, onde essa desigualdade também é gritante, é o país da União Europeia onde este fosso mais aumentou entre 2011 e 2016. Nesse ano, o vencimento à hora das mulheres europeias esteve, em média, 16,2% abaixo do dos homens.