Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Disputas entre budistas e muçulmanos relançam violência no Sri Lanka

Polícia e exército intervêm em Kandy, no centro do país

Reuters

Violência física inter-religiosa e atos de destruiçaõ como fogo posto fizeram obrigam o Governo a impôr o estado de emergência nesta ilha do Sul da Ásia

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

O estado de emergência que foi imposto há dois dias não conseguiu ainda debelar os focos de violência entre comunidades que despontaram na zona central do Sri Lanka. Várias lojas, negócios e uma mesquita foram atacadas nesta troca de atos de agressão entre cingaleses e muçulmanos, que trouxe instabilidade ao país pela primeira vez desde 2011, após o final da sangrente guerra civil com os separatistas Tamil.

Um residente de Madawala, uma vila perto da cidade montanhosa de Kandy (a segunda maior cidade a seguir à capital Colombo) testemunhou à Aljazeera ter visto uma loja em chamas na terça-feira, apenas horas após o Presidente Maithiripala Sirisena ter declarado o estado de emergência em todo o território desta ilha no Sul da Ásia. Tratava-se de uma loja de peças para automóvel cujo proprietário é muçulmano.

“No momento em que escrevo estas palavras, Kandy está a arder”, lê-se num texto intitulado “A besta levanta-se de novo” publicado esta quarta-feira no site local Ground Views - Journalism for Citizens.

O texto prossegue analisando a perversão que é perseguir muçulmanos em nome do budismo: “Se os chefes prelados fossem verdadeiros seguidores de Buda, teriam andado entre os desordeiros exortando à calma. Mas os únicos monges visíveis e audíveis em Kandy parecem ter sido os que alimentaram os fogos”, continuava o texto.

As autoridades de Colombo enviaram soldados para Kandy depois de multidões da maioria budista de Sinhala terem vandalizado e incendiado mesquitas, estabelecimentos comerciais e vendas pertencentes a muçulmanos, que constituem 10% da população de 21 milhões.

A violência teve origem na morte de um homem budista que foi alegadamente espancado por um grupo de muçulmanos há uma semana, escreve a Aljazeera.

Desde terça-feira que está em vigor o recolher obrigatório em todo o país e terá um prazp de dez dias. O estado de emergência foi decretado a seguir a um homem muçulmano ter sido retirado sem vida de uma casa incendiada durante os tumultos.

Caso venha a ser necessário prolongar este período, a aprovação carece de autorização parlamentar, uma vez que implica a presença de forças policiais e militares em zonas civis.
“Enquanto nação que viveu uma guerra brutal, estamos todos cientes dos valore da paz, respeito, unidade e liberdade”, escreveu na sua conta de Twitter o primeiro-ministro Ranil Wickremensinghe.