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Pela primeira vez, ONU responsabiliza a Rússia pela morte de civis na Síria

GETTY IMAGES

Para os investigadores das Nações Unidas, um avião russo foi aparentemente responsável pelo bombardeamento, em novembro, na província de Idleb. Morreram 84 pessoas

Investigadores da ONU disseram esta terça-feira que um avião russo foi aparentemente responsável por um bombardeamento em novembro na província síria de Idlib que matou 84 pessoas num mercado, ataque que pode constituir um crime de guerra.

Esta é a primeira vez que a ONU atribui diretamente à Rússia responsabilidade pela morte de civis na Síria.

Segundo um relatório hoje publicado pela Comissão de Inquérito da ONU sobre a Síria, "toda a informação disponível" indica que um avião russo realizou o ataque aéreo de 13 de novembro que atingiu um mercado, casas próximas e um posto da polícia dirigido por rebeldes sírios apoiados pelo ocidente na cidade de Atarib, no norte de Idlib.

Pelo menos 84 pessoas morreram e cerca de 150 outras ficaram feridas no ataque.

A comissão, criada há seis anos e meio para documentar alegadas violações dos direitos humanos na guerra da Síria, indica que o avião responsável por aquele bombardeamento descolou de uma base aérea na Síria gerida pelas forças russas, a base aérea de Hemeimeem.

A Rússia é o principal aliado das forças do presidente sírio, Bashar al-Assad, e ajudou-o a recuperar a vantagem no conflito com uma campanha de ataques aéreos.

No entanto, o exército russo desmente categoricamente acusações de morte de civis e insiste que as suas forças na Síria apenas atacaram alvos de combatentes, cuja localização foi confirmada, e nunca atingiram áreas com civis.

O relatório refere que aquele ataque em novembro à área densamente povoada, envolvendo armas não guiadas, "pode constituir um crime de guerra de lançamento de ataque indiscriminado que resultou na morte e ferimentos de civis".

A comissão de três elementos, presidida pelo advogado brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, apresentou as descobertas feitas pelos investigadores durante uma investigação de seis meses, realizada entre 8 de julho e 15 de janeiro.

Num anexo ao relatório, os investigadores dão algumas informações sobre a ofensiva governamental em curso contra o enclave rebelde de Ghouta oriental, nos arredores de Damasco, lançada a 18 de fevereiro.

Indicam que o ataque à região tem sido marcado por prováveis crimes de guerra, que incluem "o uso de armas proibidas, o ataque contra civis, a fome como estratégia de guerra (...) e a habitual recusa de retirada de doentes".

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, 724 civis foram mortos na região de Ghouta oriental, entre os quais 170 crianças, desde 18 de fevereiro.

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    Ainda não é claro se os bombardeamentos foram conduzidas pelo regime ou pela aviação russa, esclarece o principal grupo de monitorização no local. Ataques acontecem numa cidade onde tanto a Rússia como a Turquia e o Irão se comprometeram a acabar com a violência e os bombardeamentos