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Kremlin diz “nada saber” sobre “trágico” caso de ex-espião Serguei Skripal

ALEXEY NIKOLSKY / SPUTNIK / KREMLIN POOL

Porta-voz do Governo russo manifestou também a disponibilidade de Moscovo para colaborar nas investigações e reiterou que não têm informações sobre o caso, sublinhando que as causas da ida de Skripal para o Ocidente são publicamente conhecidas, uma vez que o ex-agente russo também espiou para o Reino Unido

O Kremlin considerou esta terça-feira “trágico” o “incidente” com o ex-espião russo Serguei Skripal, hospitalizado no Reino Unido por aparente envenenamento com uma substância desconhecida, adiantando que nada sabe sobre o caso.

“Percebemos que sucedeu algo trágico, mas não temos informações sobre qual poderá ser a causa, sobre o que fazia ou com o que o incidente poderá estar relacionado”, disse aos jornalistas o porta-voz do Governo russo, Dmitri Peskov, que manifestou a disponibilidade de Moscovo para colaborar nas investigações.

“Lamentavelmente, não podemos dizer mais nada sobre o caso, porque não temos informações nenhumas. Sabem muito bem como [Skripal] chegou ao Ocidente. Não vou repetir quais as causas” da ida para a Europa Ocidental, sublinhou Peskov, aludindo ao facto de o ex-agente russo também ter espiado para o Reino Unido, tendo, por isso, sido condenado por traição na Rússia.

Skripal foi condenado em 2006 a 13 anos de prisão após reconhecer ter dado informações secretas russas aos serviços de informações britânicos, relacionadas com a identidade de várias dezenas de agentes secretos russos que operavam na Europa, pelas quais recebeu 100 mil dólares.

Nascido em 1951, trabalhou até 1999 para os serviços secretos do exército russo e, depois, até 2003, no Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Segundo a agência noticiosa TASS, Skripal terá sido recrutado pelos britânicos em 1995. A 9 de julho de 2010, Skripal foi mesmo condecorado pelo então Presidente russo, Dmitri Medvedev.

Pouco depois, foi detido e, mais tarde, libertado em troca de dez agentes secretos russos expulsos de Washington, entre eles Anna Chapman, uma jovem empresária russa alcunhada como “a nova Mata Hari” e que residia em Nova Iorque.

Mais tarde, Skripal refugiou-se no Reino Unido.

“(Skripal) não representa qualquer perigo para a Federação Russa”, indicou hoje o deputado Andrei Lougovoi, antigo agente secreto russo, suspeito de, em 2006, ter envenenado com polónio, uma substância radioativa, um outro ex-espião, Alexandre Litvinenko.

Citado hoje pela agência Ria Novosti, Lougovoi considerou “propaganda” a informação que dá conta do envenenamento de Skripal.

Foi na presença de Lougovoi que Litvinenko morreu depois de beber um chá num hotel londrino.

Skripal, 66 anos, acompanhado por uma mulher de cerca de 30 anos, foi encontrado domingo inconsciente num centro comercial da cidade da Salisbury, 140 quilómetros a sudoeste de Londres, aparentemente depois de ter tocado numa substância desconhecida, segundo a polícia local.

Segundo as mais recentes informações, o espião duplo permanece desde domingo em “estado crítico”.

Entretanto, em Salisbury, especialistas em contraterrorismo estão a apoiar as investigações da polícia num caso que o chefe da polícia antiterrorista, comissário Mark Rowley, considerou “pouco usual” e para o qual é “crítico” determinar rapidamente o que sucedeu.

“Temos de nos lembrar que os exilados russos não são imortais. Todos morrem e há sempre quem tenha a tendência para algumas teorias da conspiração. No entanto, temos de recordar o facto de que existem ameaças, como foi o caso de Litvinenko”, disse Rowley, em resposta à questão das suspeitas sobre o envolvimento da Rússia no caso.

  • Sergei Skripal, antigo coronel dos serviços secretos russos, foi condenado em 2006 a 13 anos de prisão por atos de espionagem, por ter passado informação confidencial ao Governo britânico. Foi perdoado anos depois, no contexto de uma troca de espiões entre os EUA e a Rússia. No domingo, terá sido exposto a uma substância tóxica ainda não identificada, numa cidade no sul de Inglaterra, e encontra-se internado em estado muito grave