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Porta-aviões dos EUA chega ao Vietname 43 anos depois da guerra para enviar mensagem à China

O USS Carl Vinson fotografado no Mar das Filipinas há menos de um ano

U.S. Navy

É a primeira vez que um navio como o USS Carl Vinson atraca no país desde 1975, uma visita que tem lugar depois de a China ter anunciado um Orçamento de Defesa para 2018 na ordem dos 142 mil milhões de euros, mais 8% de investimento nas forças militares do que no ano passado

O porta-aviões norte-americano Carl Vinson está prestes a fazer história, esta segunda-feira, ao tornar-se o primeiro navio dos EUA desta envergadura a visitar o Vietname desde 1975, quando terminou a controversa guerra que opôs o país aos EUA. O porta-aviões movido a energia nuclear vai atracar na cidade portuária de Danang, onde as primeiras tropas de combate norte-americanas desembarcaram para dar início à guerra no Vietname.

A visita e o porto onde o Carl Vinson vai atracar são altamente simbólicas, numa altura em que os EUA estão a tentar reforçar as relações militares com o antigo rival e a hegemonia chinesa é crescente.

Os analistas dizem que o envio do porta-aviões serve, acima de tudo, para mandar uma mensagem clara à China perante as suas crescentes aspirações expansionistas no Mar do Sul da China.

A chegada do navio norte-americano quase coincidiu com o anúncio de Pequim de que o seu Orçamento de Defesa para este ano vai situar-se nos 1,11 biliões de yuan (cerca de 142 mil milhões de euros), mais 8% de investimento militar do que ano passado.

Jonathan Head, correspondente da BBC em Danang, diz que o acolhimento do Carl Vinson pelo Vietname envolve uma jogada arriscada, com as autoridades do país comunista empenhadas em evitar quaisquer passos em falso com os norte-americanos que possam pôr em causa a sua relação com a China.

Apesar da crescente cooperação entre norte-americanos e vietnamitas, essa relação continua a ser muito limitada e é na China que Hanoi tem, de longe, o seu principal parceiro de trocas.

Ao longo dos últimos anos, a China tem reclamado soberania sobre grande parte do Mar do Sul da China, incluindo recifes e ilhas que são disputados por outras nações da região. Ao mesmo tempo, Pequim tem estado a construir ilhas artificiais nesse corredor marítimo para defender o que diz ser o seu território.

Os EUA continuam a assegurar que não tomam parte nestes conflitos, mas nos últimos anos têm reforçado as chamadas missões de “liberdade de navegação”, enviando navios da Marinha para as disputadas águas num desafio às ambições chinesas.