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Macron atribui vitória populista na Itália a “forte pressão migratória”

Sylvain Lefevre/GETTY IMAGES

“Sei que, no mundo em que vivemos, podemos defender ideias bonitas, mas não podemos defendê-las ignorando a brutalidade do contexto. Itália sofre hoje inegavelmente (...) num contexto de uma forte pressão migratória”, afirmou o chefe de Estado francês

O Presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou-se esta segunda-feira cauteloso face aos resultados das eleições legislativas italianas de domingo, explicando que a "forte pressão migratória" sentida em Itália poderá ter influenciado a vitória das forças populistas.

"Mantenho-me neste momento cauteloso enquanto aguardo a decisão do Presidente da República italiana", Sergio Mattarella, sobre a formação do futuro governo, declarou Macron, após um encontro no Eliseu (sede da Presidência francesa) com o primeiro-ministro do Quebec, Philippe Couillard.

Numa breve declaração, o governante francês tentou contextualizar os resultados eleitorais, ainda não apurados na totalidade, das eleições de domingo em Itália.

"Sei que, no mundo em que vivemos, podemos defender ideias bonitas, mas não podemos defendê-las ignorando a brutalidade do contexto. Itália sofre hoje inegavelmente (...) num contexto de uma forte pressão migratória", situação na qual o país "vive há meses e meses", frisou.

"No que diz respeito a França, continuaremos a defender esta Europa que protege, esta Europa com ambição que promovo desde a minha eleição", concluiu o chefe de Estado francês.

As forças políticas conhecidas como anti-sistema, eurocéticas e de extrema-direita alcançaram uma votação histórica nas eleições legislativas italianas de domingo: o Movimento 5 Estrelas (M5S) tornou-se no partido mais votado com mais de 31% dos votos, enquanto a coligação formada pela Forza Italia (FI, direita) do antigo primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi e a Liga de Matteo Salvini (extrema-direita) obtiveram 37%.

Perante o improvável cenário de uma maioria parlamentar, tanto para a coligação direita/extrema-direita como para o M5S, os líderes políticos italianos serão forçados a negociar, um período que promete ser longo e complexo e que deixa na expectativa toda a Europa, nomeadamente os parceiros na União Europeia (UE).

Ainda em França, a líder da Frente Nacional (extrema-direita francesa), Marine Le Pen, saudou através da rede social Twitter o líder da Liga Matteo Salvini pelo resultado eleitoral, frisando que tal "progressão espetacular" está inserida "numa nova etapa do despertar dos povos".