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Internacional

Delegação sul-coreana chega a Pyongyang para fomentar diálogo entre Coreia do Norte e EUA

Chung Eui-Yong, chefe do Conselho de Segurança Nacional (ao centro), lidera a comitiva sul-coreana, de visita a Pyongyang

Jung Yeon-Je / Getty Images

Analistas estão à espera para ver se os Jogos Paralímpicos de Inverno, que vão começar esta semana, também em PyeongChang, vão contribuir ainda mais para a reaproximação entre as duas Coreias. Trump continua a insistir que só aceitará negociar com Kim se a desnuclearização estiver em cima da mesa

Uma delegação sul-coreana partiu, esta segunda-feira, para Pyongyang, a capital da Coreia do Norte, para um raro encontro cujo objetivo é conseguir que o país de Kim Jong-un retome negociações diretas com os Estados Unidos da América.

Os analistas apontam que o grupo de delegados vai concentrar-se em criar as condições para um diálogo entre Washington e Pyongyang, com o intuito de eventualmente se começar a debater a desnuclearização da península coreana. Para já, ainda não se sabe se o grupo vai encontrar-se com o líder norte-coreano durante a visita de dois dias.

A visita tem lugar pouco depois do fim dos Jogos Olímpicos de Inverno, que decorreram em fevereiro, na cidade sul-coreana de PyeongChang, e que, no campo político, marcaram uma reaproximação entre as duas Coreias, inédita em anos. A delegação que já terá partido de Seul para o Norte inclui dois enviados de alto nível, o chefe dos serviços de informação, Suh Hoon, e o conselheiro de Segurança Nacional, Chung Eui-yong.

Antes da partida, Chung disse aos jornalistas que, em nome do Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, vai apresentar aos anfitriões uma “resolução para manter o diálogo e melhorar as relações entre o Sul e o Norte [e] para desnuclearizar a península coreana”.

“Espero manter discussões profundas sobre as várias formas de manter estas negociações em curso, não apenas entre o Sul e o Norte mas também entre o Norte e os EUA”, sublinhou o delegado.

A aspiração poderá encontrar alguns obstáculos dada a ideia que Donald Trump repetiu no sábado sobre Pyongyang ter primeiro de “desnuclearizar-se” se quer negociar diretamente com os EUA. Em resposta a isto, a Coreia do Norte, que no passado já demonstrou a sua intenção de conversar diretamente com a administração Trump, classificou como “absurdo” que Trump continue a insistir em pré-condições.

“Depois de termos esclarecido [os EUA] sobre a nossa intenção em dialogar, a atitude leva-nos a achar que os EUA não estão interessados em retomar o diálogo”, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros, citado pela imprensa do regime.

Neste momento, continua sem se saber quem representaria a administração norte-americana caso estas negociações tivessem lugar, sobretudo depois de o diplomata norte-americano para a Coreia do Norte, Joseph Yun, ter anunciado a sua reforma antecipada, há uma semana.

Os analistas acreditam que Yun era muito favorável ao caminho da diplomacia e dos compromissos com os norte-coreanos para evitar um potencial conflito nuclear — um risco que tem vindo a aumentar ao longo do último ano, perante a escalada da retórica e dos insultos trocados por Trump e Kim.

Depois do sucesso dos Jogos Olímpicos de Inverno, onde se deram as primeiras negociações de alto nível intercoreanas em vários anos, a grande questão, neste momento, é perceber se a participação da Coreia do Norte nos Jogos Paralímpicos, que começam esta semana, vai ajudar a aproximar ainda mais as duas Coreias.