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Ajuda humanitária prestes a entrar em Ghouta Oriental

Imagem de Ghouta captada em 2015, dois anos depois do início do cerco ao enclave rebelde pelas forças sírias

Getty Images

Quarenta e seis camiões da ONU estão prontos para entrar no subúrbio da capital síria, onde cerca de 400 mil residentes têm estado sob uma intensa campanha de bombardeamentos diários desde meados de fevereiro

Uma coluna de camiões com ajuda humanitária está a preparar-se para entrar, esta segunda-feira, em Ghouta Oriental, um subúrbio da capital da Síria que está cercado pelas forças de Bashar al-Assad desde maio de 2013 e que, nas últimas semanas, tem estado sob intensos bombardeamentos aéreos que já provocaram mais de 600 mortos, muitos deles crianças.

Os 46 camiões com bens alimentares e medicamentos fornecidos pelas Nações Unidas deverão ser os primeiros a entrar no enclave rebelde desde o início dessa ofensiva, em meados de fevereiro, depois de, na semana passada, se terem começado a aplicar tréguas diárias de cinco horas na área, como foi sugerido pela Rússia, no Conselho de Segurança.

Esta madrugada, e segundo números avançados por ativistas no terreno, 14 civis morreram em renovados ataques aéreos das forças de Assad, horas antes da chegada prevista dos camiões. À Reuters, um funcionário da Organização Mundial de Saúde (OMS) denunciou que as forças governamentais retiraram dos camiões material cirúrgico e kits para tratar feridos antes de autorizarem a comitiva a partir dos armazéns para Ghouta.

No domingo, num discurso transmitido pela televisão estatal síria, Assad garantiu que a ofensiva contra os “terroristas” de Ghouta — como o Presidente sírio classifica os grupos rebeldes que estão a combatê-lo desde 2011— vai continuar.

Após rejeitar as notícias de uma catástrofe humanitária em Ghouta, classificando-as como “mentiras ridículas”, o contestado líder sírio também manifestou o seu apoio às curtas tréguas diárias patrocinadas por Moscovo, que estão a permitir “à maioria daqueles que vivem em Ghouta Oriental” escapar ao jugo dos “terroristas”.

Neste momento, nem essas pausas diárias ordenadas pela Rússia, aliada de Assad, nem o cessar-fogo a nível nacional ditado por uma resolução do Conselho de Segurança estão a conduzir ao alívio dessa catástrofe, com a ONU a condenar o “castigo coletivo de civis” que é “simplesmente inaceitável”.

“Em vez da pausa tão necessária, continuamos a assistir a mais lutas, mais mortes e mais notícias perturbadoras sobre fome e sobre hospitais a serem bombardeados”, declarou ontem o coordenador regional humanitário da ONU para a Síria, Panos Moumtzis.

Segundo fontes da oposição e jornalistas no terreno, algumas centenas de residentes de Ghouta já conseguiram fugir da parte oriental do enclave que está a ser atingida pelos bombardeamentos. Ali, particularmente em Beit Sawa, os combates entre as forças do governo e a fação islamita Jaysh al-Islam têm estado a intensificar-se. Essa é a fação que, neste momento, domina o leste de Ghouta, embora também esteja ali presente a Hayat Tahrir al-Sham, uma aliança jiadista liderada por um ex-membro da Al-Qaeda na Síria.