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Internacional

Trump quer Kushner e Ivanka fora da Casa Branca?

JIM BOURG

É um dos rumores que corre neste momento, alimentado pela descoberta de que vários países discutiram formas de usar as vulnerabilidades de Kushner para conseguir influência

Luís M. Faria

Jornalista

O tumulto interno na Casa Branca não dá sinais de terminar. Dias depois de uma das assessoras mais próximas de Trump, Hope Hicks, se ter demitido alegadamente por querer explorar outras oportunidades profissionais (como se o cargo de diretor de comunicações da Casa Branca, aos 28 anos, fosse algo insignificante) e de o chefe de gabinete de Trump ter retirado a Jared Kushner e a dezenas de outras pessoas as autorizações que lhes permitiam ter acesso a material Top Secret (no caso de Kushner, por causa de irregularidades que terão obrigado a dezenas de revisões nos formulários que ele é obrigado a preencher), correm rumores de que o Conselheiro de Segurança Nacional, general H. R. McMaster, poderá estar de saída.

Um dos motivos será o descontentamento de Trump por o general ter tido que a intervenção da Rússia nas eleições presidenciais de 2006 estava fora de dúvida. Trump reagiu no Twitter, como habitualmente, acusando McMaster de se ter esquecido de dizer que a alegada intervenção não havia afetado o resultado final da eleição, e que se alguém conspirou com a Rússia durante a campanha foi a sua rival, Hillary Clinton. A irritação de Trump com o assunto continua a sobressair igualmente na má relação que ele tem com o secretário de Estado da Justiça, o ex-senador Jeff Sessions, apesar de este ter sido um dos seus primeiros apoiantes da sua campanha. O Presidente não lhe perdoa ter-se escusado pessoalmente na questão russa, deixando-a nas mãos do n. 2 do departamento, que por sua vez nomeou um ex-diretor do FBI como investigador especial no assunto.

Entretanto, também consta que o próprio Kushner e a sua mulher, Ivanla Trump, poderão estar prestes a deixar a Casa Branca. A razão não tem apenas a ver com a perda de acesso a material indispensável para Kushner desempenhar as suas funções - Trump atribuiu-lhe um portfólio absurdamente vasto que inclui Israel, o México e China - mas também com conflitos de interesse que já se suspeitavam há algum tempo e ultimamente se têm vindo a tornar mais visíveis. O genro do presidente, que tal como ele é promotor imobiliário, está com problemas financeiros graves. Em 2007, adquiriu por 1.8 mil milhões de milhões (1,46 mil milhões de euros) um grande edifício em Nova Iorque que devia ter sido a coroa do seu império. A crise financeira fez o valor dessa propriedade cair abruptamente, e desde então Kushner luta com uma dívida que não consegue pagar.

Usar as vulnerabilidades de Kushner?

Entre os países junto dos quais tentou obter financiamento, inclui-se o Qatar. Semanas depois de a tentativa se gorar, o pequeno estado do Golfo viu-se sujeito a um bloqueio por parte de quatro estados vizinhos, os quais lhe exigem que reduza as suas relações com o Irão e feche a estação televisiva Al Jazeera, entre outras coisas. Quando o bloqueio foi anunciado Trump atribuiu-o o bloqueio a um discurso que ele próprio tinha feito na Arábia Saudita. Mas soube-se que o seu genro tinha apoiado a decisão, o que, no mínimo, levanta suspeitas. Tal como o facto de empresas das quais Kushner obteve financiamento recente terem sido recebidas na Casa Branca pouco antes de isso acontecer, E de se ter descoberto que pelo menos quatro países - China, Israel, Emiratos Árabes Unidos e México - discutiram formas de usar as vulnerabilidades de Kushner para influenciar a política da Casa Branca.

Em suma, consta que Trump quererá ver a sua filha e o genro voltarem rapidamente à vida "civil", e estará a fazer manobras para os levar a tomar a iniciativa. Alguns comentadores já especulam sobre a possibilidade de Kushner vir a ser preso, e comediantes do fim de serão fazem abertamente piadas sobre o assunto. Como se não bastasse, foi noticiado que outra pessoa próxima do Presidente, o grande investidor Carl Icahn (valor estimado: 13,7 mil milhões de euros) vendeu cerca de 25 milhões euros de ações que tinha numa empresa diretamente afetada pela decisão, anunciada por Trump no dia seguinte, de impor pesadas tarifas às importações de aço e de alumínio para os Estados Unidos - 25% e 10%, respetivamente.

A propósito dessa medida, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse que a razão está mal distribuída no mundo, a UE anunciou estar a estudar medidas retaliatórias. Tal como em casos anteriores, espera-se que estas sejam implementadas de modo a atingir certos estados americanos em particular, causando máximo prejuízo eleitoral aos políticos que defendem as tarifas, a começar pelo Presidente.