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Movimento 5 Estrelas ganha eleições em Itália mas sem maioria. Centro-direita pode formar coligação

Sondagens à boca da urna apontam para vitória do Movimento 5 Estrelas. Sem maioria. Os partidos de centro-direita, pontificados por Berlusconi, podem formar uma maioria. Observadores dizem que pode durar semanas até se chegar a uma solução política

Quando as urnas para as eleições legislativas em Itália fecharam, eram 23h locais (22h em Lisboa), as sondagens imediatamente publicadas pelo jornal La Repubblica davam a vitória ao Movimento 5 Estrelas, com uma vitória dentro da margem dos 29,5% aos 32,5%

Sondagens do La Reppublica

Sondagens do La Reppublica

Nestas eleições em Itália serão escolhidos 630 deputados e 315 senadores a partir do novo método misto, a chamada lei "Rosatellum" que foi aprovada em outubro. Esta lei estimula a formação de coligações e dificulta a formação de uma maioria.

As sondagens da RAI apontam para o mesmo desfecho.

Sondagens da RAI

Sondagens da RAI

Nesta sondagem à boca das urnas, o Movimento 5 Estrelas tem entre 29-32%, seguindo-se o Partido Democrático com 20,5-23,5%, a Forza Italia com 13-16%, a Lega com 13-16%, os Fratelli d'Italia com 4-6%, os Liberi e Uguali com 3-5%, a +Europa Bonino com 2,5-4,5%, Noi con l'Italia - Udc com 1-3%. Os demais partidos têm previsões inferiores a 2%.

Tendo em conta a complexidade do novo sistema eleitoral, espera-se que só na madrugada de segunda-feira haja uma ideia da composição do próximo parlamento italiano.

O novo sistema em vigor em Itália é uma complexa mistura entre os sistemas proporcional e maioritário, fazendo com que, para ter maioria no parlamento, um partido ou coligação precise de 40% dos votos, segundo uns especialistas, 45%, segundo outros.

Em função destes resultados, que não ditam a maioria de nenhum partido, coloca-se o cenário de coligações, que a RAI também analisa a partir ainda das sondagens (não há ainda resultados apurados).

Votação por blocos

Votação por blocos

Esta análise significa que os partidos de centro-direta são a "primeira" coligação que emerge como possibilidade para formar governo.

A coligação de centro-direita, que reúne o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi e outros partidos da extrema-direita, perfila-se nesse caso como vencedora das eleições gerais.

Poderá "demorar semanas" até um novo Governo em Itália
Estes cenários indicam que há poucas certezas sobre o desfecho que irá resultar das eleições. As sondagens indicam que o Parlamento deverá será formado sem maioria, em que o maior bloco é constituído pela aliança entre grupos de extrema direita e o Força Itália, partido de Sílvio Berlusconi - que está impedido de exercer cargos públicos até 2019, por ter sido condenado por fraude fiscal.

Por outro lado o Movimento Cinco Estrelas, que representa o «anti-sistema», deverá recolher o maior número de votos, mas sem conseguir uma maioria. Um terceiro bloco é formado pelo centro-esquerda, que esteve no poder nos últimos cinco anos e tem estado em queda.


O cenário incerto das eleições italianas poderá resultar em ingovernabilidade. "Se, como esperado, ninguém atingir uma maioria clara nas eleições (40%), pode levar semanas até se conseguir um Governo em Itália", adiantou ao jornal Sunday Times Paolo Cossarini, professor de Política e Relações Internacionais da Universidade de Loughborough, que previu como resultados das eleições em Itália 34 a 37% para o bloco de centro-direita, 30% para o bloco de centro esquerda e 25 a 28% para o Movimento Cinco Estrelas - todos longe da maioria de 40% que seria necessária para formar um Governo

O dia de eleições em Itália foi marcado por muitos protestos dos votantes, que tiveram de enfrentar longas filas, de mais de uma hora, até deixar o voto nas urnas. O próprio sistema de voto foi mais complexo na sequência das alterações introduzidas no âmbito de um novo sistema destinado a combater a fraude eleitoral, o que segundo as autoridades esteve na origem da "maior parte dos atrasos". Houve também problemas em Palermo ou em Roma com erros nos boletins de voto que levou a que alguns locais de votação estivessem fechados durante algumas horas, até se imprimirem novos boletins.

Os atrasos também se deveram à nova lei eleitoral que torna o ato de voto bastante mais complexo para os italianos - que têm de eleger um terço dos parlamentares com recurso a um sistema de círculos uninominais, sendo os outros dois terços através deo sistema proporcional.

Além das filas e dos atrasos no processo eleitoral, o dia também ficou marcado pelo protesto de uma ativista de tronco nu no momento em que Sílvio Berlusconi se preparava para votar, tendo escrito nos seios "Berlusconi, o teu tempo acabou".

Após as eleições, o resultado também não é claro para os italianos, não sendo seguro que as coligações avançadas antes das eleições permaneçam. O eleitorado está dividido em três grandes blocos, e a atual lei eleitoral italiana, que tem sido sucessivamente alterada, resulta de um acordo entre o centro esquera e o centro direira. O Movimento Cinco Estrelas, que representa o "anti-sistema" é tido como favorito, também não poderá governar sózinho. E Berlusconi, líder do Forza Itália, também está impedido de exercer cargos públicos por ter sido condenado por fraude fiscal.

Notícia em atualização. Volte dentro de poucos minutos para ler mais informações.