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Puigdemont que formar um “Conselho da República” para liderar o Governo catalão à distância

JOSEP LAGO/GETTY IMAGES

O ex-líder do Governo catalão não avançou muitos detalhes sobre o anunciado Conselho. Disse apenas que deverá ter “representação das comunidades locais e da sociedade civil” e anunciou que vai convidar outros partidos para o integrarem. Tudo isto em entrevista ao britânico “The Guardian”, um dia depois de ter anunciado através das redes sociais que renunciava “provisoriamente” a tomar posse como presidente da Catalunha e de ter indicado o nome de Jordi Sànchez, líder da associação cívica independentista Assembleia Nacional Catalã, para seu sucessor

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Um dia depois de ter anunciado que renunciava a tomar posse como presidente do Governo catalão, Carles Puigdemont deu uma entrevista ao “The Guardian” em que anunciou os seus planos para formar um “Conselho da República” e assim liderar a região autónoma a partir da Bélgica, onde se encontra exilado desde outubro do ano passado.

Ao jornal britânico, o ex-líder do Governo catalão explicou brevemente em que consistirá este órgão: “Trata-se de um governo no exílio. Não na sombra. Preferimos trabalhar num espaço livre, sem ameaças ou medos. Devemos agir sem os problemas da justiça e polícia espanholas. É um gabinete ou governo que deve representar a nossa realidade política”.

Carles Puigdemont disse ainda ao jornal que este “Conselho da República”, que conta liderar, “representará a diversidade [da Catalunha]” e anunciou que vai convidar outros partidos para o integrarem. “O conselho deve ter representação das comunidades locais e da sociedade civil”, afirmou o ex-líder catalão, resumindo os seus planos numa espécie de slogan de campanha política: “Vamos deixar de governar para as pessoas e passar a governar com as pessoas”.

Na terça-feira, Puigdemont anunciou através das redes sociais que renunciava “provisoriamente” a tomar posse como presidente da Catalunha e indicou o nome de Jordi Sànchez, líder da associação cívica independentista Assembleia Nacional Catalã, para seu sucessor. Difícil é que isto venha a acontecer, uma vez que Sánchez encontra-se em prisão preventiva há quatro meses e meio, acusado de sedição e rebelião no contexto da declaração unilateral da independência da Catalunha.

Na entrevista ao “The Guardian”, o ex-líder catalão admitiu ter dúvidas de que Jordi Sànchez possa sair da prisão e estar presente na tomada de posse. Acusou Filipe VI, rei de Espanha, de ignorar a Constituição espanhola - algo de que Puigdemont também tem sido acusado -, bem como “os milhões de catalães que votaram a favor da independência”, e acusou o Governo de Madrid de “falta de diálogo” e de “ter agido de má fé”.

“Não há ninguém do outro lado da mesa”, disse o ex-líder catalão, queixando-se de que o Governo dialogou mais com o grupo separatista basco ETA do que parece interessado em dialogar com os independentistas, nomeadamente os do Juntos pela Catalunha (JxCat), partido que lidera e que “nunca recorreu à violência nem matou ninguém”. Questionado sobre eventuais manifestações de desobediência civil na Catalunha contra o Estado espanhol, Carles Puigdemont referiu que não irá promovê-las, mas respeita a decisão das pessoas. “A desobediência civil não é um crime. É uma ferramenta democrática”, concluiu.