Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Organização Mundial do Comércio avisa que taxas sobre aço e alumínio podem provocar uma “guerra comercial”

MANDEL NGAN/GETTY IMAGES

União Europeia está a preparar medidas de retaliação contra empresas e marcas dos Estados Unidos, como a Harley-Davidson, Bourbon e Levi's, depois de Donald Trump ter anunciado a imposição de taxas sobre as importações de aço e alumínio

A Organização Mundial do Comércio (OMC) está “manifestamente preocupada”com o projeto do presidente norte-americano de taxar as importações de aço e alumínio, afirmou esta sexta-feira o líder da OMC, advertindo para a possibilidade de “uma guerra comercial”.

“A OMC está manifestamente preocupada com o anúncio dos planos norte-americanos sobre direitos aduaneiros em relação ao aço e ao alumínio”, afirmou Roberto Azevedo, numa declaração escrita.

“Uma guerra comercial não seria do interesse de ninguém”, advertiu o diretor-geral da organização, sublinhando que “o risco de uma escalada é real, como mostraram as primeiras respostas de outros” países. Segundo o diplomata brasileiro, “a OMC vai seguir de perto a situação”.

Donald Trump afirmou na quinta-feira que vai anunciar na próxima semana a imposição de taxas de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio importados pelos Estados Unidos. O país importa quatro vezes mais aço do que exporta, a partir de mais de 100 países.

O Presidente norte-americano considera que as indústrias de aço e alumínio norte-americanas são “dizimadas há décadas por um comércio injusto e políticas prejudiciais”, conforme afirmou numa publicação partilhada no Twitter na quinta-feira. “Não devemos permitir que tirem vantagem do nosso país, dos nossos negócios e dos nossos trabalhadores”, acrescentou o Presidente norte-americano, apelando a um comércio “livre, justo e inteligente”.

O anúncio de Trump suscitou várias reações e críticas. Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, alertou na quinta-feira para as consequências gravosas da medida “injusta” e garantiu que a União Europeia vai reagir “firme e proporcionalmente para defender os seus interesses”. Já esta sexta-feira, o presidente da comissão anunciou que a União Europeia está a preparar medidas de retaliação contra empresas e marcas dos Estados Unidos, como a Harley-Davidson, Bourbon e Levi's. “Não vamos ficar sentados enquanto a indústria europeia e os postos de trabalho são ameaçados. Não seremos ingénuos”, acrescentou Jean-Claude Juncker.

Também o Canadá, um dos principais fornecedores de aço dos EUA, a par do Japão e da Coreia do Sul, reagiu negativamente ao anúncio. “Qualquer tarifa ou quota que seja imposta à nossa indústria canadiana do aço e alumínio seria inaceitável”, afirmou o ministro do Comércio Internacional do Canadá, François-Philippe Champagne. Já a ministra dos Negócios Estrangeiros canadiana, Chrystia Freeland, sublinhou que os EUA “têm um excedente de dois mil milhões de dólares [1,6 mil milhões de euros] no comércio do aço com o Canadá”.

A China ainda não reagiu ao anúncio de Donald Trump. Sabe-se, no entanto, que o governo chinês, assim como o governo do México, estão a ponderar a imposição de medidas de retaliação contra os EUA, refere a “BBC”.

Também dentro da Casa Branca a medida não é consensual. Um porta-voz de Paul Ryan, líder dos republicanos na Câmara dos Representantes, disse esperar que o Presidente norte-americano “tenha atenção às consequências indesejadas da medida e considere outras abordagens antes de avançar com a imposição de taxas” sobre os produtores referidos. Já o secretário da Defesa, Jim Mattis, afirmou que a medida irá custar aos EUA o apoio de países como o Canadá e a Coreia do Sul.

A última vez que os EUA impuseram taxas sobre as importações de aço foi em 2002, durante a presidência de George W. Bush. Foram levantadas ao fim de menos de dois anos, precisamente devido à possibilidade de uma guerra comercial entre países.