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Marine Le Pen formalmente acusada de “disseminação de imagens violentas”

Chesnot

Líder da extrema-direita francesa enfrenta até três anos de prisão e uma multa de até 75 mil euros se for condenada por ter partilhado massacres do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) no Twitter no rescaldo dos atentados de 2015 em Paris

As autoridades francesas abriram um processo judicial preliminar contra Marine Le Pen, a líder da Frente Nacional (extrema-direita), por "distribuição de imagens violentas" no Twitter, num caso que remonta ao rescaldo dos atentados que, em novembro de 2015, provocaram 130 mortos em Paris.

Se for declarada culpada, a cara da extrema-direita francesa enfrenta até três anos de prisão efetiva e o pagamento de uma multa até 75 mil euros por ter partilhado imagens de massacres executados pelo autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

Uma das imagens partilhadas por Le Pen mostrava o corpo do fotojornalista norte-americano James Foley, que foi decapitado pelo Daesh, uma execução que o grupo jiadista filmou e disseminou na internet após Abu Bakr al-Baghdadi ter proclamado a instalação de um califado extremista no Iraque e na Síria, em junho de 2014.

A par disso, a líder da Frente Nacional partilhou outra imagem de um piloto jordano também capturado por militantes do Daesh que foi queimado vivo numa jaula e uma terceira foto de um homem a ser atropelado por um veículo de combate conduzido por um militante do grupo extremista. Na legenda podia ler-se: "O Daesh é ISTO."

A primeira das três imagens que partilhou, mostrando o cadáver sem cabeça de Foley, seria depois retirada do Twitter pela própria Le Pen perante queixas da família do norte-americano e um coro de condenações na rede social.

A legislação francesa prevê um certo grau de imunidade aos membros do Parlamento, imunidade essa que foi retirada a Le Pen em novembro de 2017 após as autoridades francesas terem aberto o inquérito que ontem conduziu a estas acusações preliminares contra a dirigente partidária.

"Estou a ser acusada por condenar os horrores do Daesh", reagiu Le Pen em declarações à AFP. "Noutros países, isto ter-me-ia garantido uma medalha." O seu advogado, Rodolphe Bosselut, confirmou que foram interpostas acusações formais contra a sua cliente, mas escusou-se a tecer comentários sobre o assunto, sem dizer se vai interpôr recurso à decisão da procuradoria francesa.

As acusações surgem uma semana antes do congresso anual da Frente Nacional, durante o qual Le Pen deverá apresentar os seus planos para o partido, numa altura de grandes pressões após ter perdido as presidenciais de maio de 2017 para Emmanuel Macron.

Em 2015, meses antes de ter partilhado os massacres do Daesh no Twitter, Le Pen tinha começado a ser julgada por "incitar à discriminação com base em crenças religiosas", após ter comparado muçulmanos que rezam em público à ocupação nazi de França durante a II Guerra Mundial.

Esse caso acabou por não dar em nada após a procuradoria ter recomendado o abandono das acusações contra Le Pen. Neste momento, a líder da Frente Nacional está igualmente a ser investigada por utilização indevida de fundos da União Europeia quando era deputada no Parlamento Europeu.