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Nova Iorque indemniza três muçulmanas que a polícia fotografou sem hijab

Todos os anos, a 1 de fevereiro, mulheres assinalam em várias cidades de todo o mundo (Nova Iorque, na imagem) a passagem do Dia Mundial do Hijab

Spencer Platt / Getty Images

Cada uma delas vai receber 60 mil dólares, num caso que poderá criar um precedente importante

Luís M. Faria

Jornalista

A cidade de Nova Iorque concordou pagar um total de 180 mil dólares (147 mil euros) a três mulheres muçulmanas que foram obrigadas a remover o hijab para tirar fotografias na esquadra. Em todos os três casos não lhes foi dada a opção – que uma instrução de 2015 passou a impor oficialmente na cidade – de fazerem a foto numa sala privada, com apenas uma agente policial do sexo feminino a assistir.

O caso mais antigo remonta a 2012, quando uma jovem identificada apenas como G.E. foi detida por se ter envolvido numa briga com colegas que acusava de estarem a espalhar histórias sobre ela. Levada para a esquadra, não lhe foi concedido o direito a uma fotógrafa do sexo feminino, e acabou por passar 20 minutos sem cobertura no cabelo, na presença de homens. Diz que se sentiu "exposta, violada e abalada".

Outros dois casos semelhantes, já posteriores à ordem de 2015 (num deles, a queixosa diz que passou 20 minutos a ouvir guardas e presos rirem-se dela e fazerem comentários), foram tratados pela mesma advogada, Tahanie Aboushi, que conseguiu que o tribunal aceitasse ouvi-los, pelo menos em parte. É na sequência disso que vêm os acordos agora anunciados, que uma porta-voz da cidade disse serem "no melhor interesse de todas as partes envolvidas".

Aboushi concorda: "Fizemos o nosso melhor para estabelecer um bom precedente. Por um lado, dá uma orientação aos agentes. Por outro, protege o exercício da liberdade religiosa". Há muito que coberturas de tipo religioso (o turbante dos Sikh é outro exemplo) dão origem a problemas em lugares como aeroportos. A decisão agora anunciada, se funcionar de facto como precedente, será um passo no sentido de combater efeitos comuns da discriminação.

"Ouvimos regularmente queixas de pessoas que encontram toda uma série de obstáculos, desde pessoas que usam cobertura religiosa na cabeça até outras que correspondem ao perfil do muçulmano típico", explicou ao diário "New York Times" Jonathan Smith, diretor legal dos Muslim Advocates. Os processos criminais contra cada uma das três mulheres fotografadas sem hijab tinham sido arquivados, e elas rapidamente se transformaram em queixosas. Cada uma vai receber uma indemnização de 60 mil dólares (49 mil euros).