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Expresso

Internacional

Alemanha investiga ciberataques “russos” aos seus Ministérios da Defesa e do Interior

Agência de Segurança de Informação do Ministério do Interior abriu inquérito aos ciberataques

Peter Meissner

Conhecido grupo de hackers russos Fancy Bear, também suspeito de interferência nas eleições presidenciais dos EUA em 2016, está a ser responsabilizado pelas invasões dos sistemas cibernéticos privados do governo federal alemão

A Alemanha está a investigar uma violação dos sistemas cibernéticos privados dos seus Ministérios da Defesa e do Interior, confirmou ontem um porta-voz do governo federal, depois de vários media alemães terem responsabilizado um famoso grupo de hackers russos, o Fancy Bear, ou APT28, pela recente invasão desses sistemas.

As primeiras suspeitas de um ciberataque às redes do governo federal alemão surgiram em dezembro, com a agência de notícias DPA a avançar esta semana que esses ataques poderão ter ocorrido ao longo de um ano até terem sido detetados. Os suspeitos são os mesmos que terão interferido no processo eleitoral norte-americano que, em 2016, culminou com a eleição de Donald Trump como 45.º Presidente dos EUA.

Segundo a DPA, membros do Fancy Bear terão apontado a mira às redes de comunicações internas do governo federal alemão, infetando-as com malware — uma informação parcialmente confirmada esta semana pelo porta-voz do Ministério do Interior em declarações à agência alemã.

"Podemos confirmar que o Gabinete Federal para a Segurança da Informação (BSI) e os serviços secretos estão a investigar um incidente de cibersegurança relacionado com as redes e tecnologias de informação do governo federal." A mesma fonte garantiu que o ataque foi "isolado" e que as autoridades alemãs conseguiram "controlá-lo"; rejeitou, contudo, comentar o alegado envolvimento do grupo de hackers russos nesse ataque.

Em 2015, o Fancy Bear já tinha sido responsabilizado por um ataque semelhante aos sistemas informáticos da câmara baixa do Bundestag, o parlamento alemão, havendo ainda suspeitas de que também terá invadido os sistemas da União Democrata-Cristã (CDU), o partido da chanceler Angela Merkel. Depois disso, as autoridades alemãs alertaram no ano passado repetidas vezes para os riscos de "manipulação externa" das eleições federais que tiveram lugar no país em setembro.

Inúmeros especialistas em cibersegurança têm responsabilizado o Fancy Bear por uma série de ataques a países ocidentais, incluindo nos EUA e em França. Para ocultar a sua identidade, o grupo tem assumido variados nomes de código, incluindo CozyDuke, Sofacy, Pawn Storm, Sednit e Tsar Team. Segundo os mesmos especialistas, foram estes hackers que desempenharam um papel preponderante no ataque aos sistemas informáticos da Comissão Nacional do Partido Democrata durante a campanha presidencial norte-americana há dois anos.