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Trump diz que mesmo desarmado teria enfrentado o atirador na Florida

O Presidente Trumo durante o encontro na Casa Branca com governadores de de 39 estados norte-americanos, onde abordou o tema do massacre numa escola da Florida

JONATHAN ERNST / Reuters

O Presidente dos Estados Unidos admite, porém, que nessas situações uma pessoa nunca sabe. E continua a propor medidas pouco corajosas de controlo de armas

Luís M. Faria

Jornalista

O massacre de 17 estudantes numa escola na Florida continua a ter repercussões políticas ao mais alto nível. Pelo menos verbais. Falando na Casa Branca num encontro com governadores de vários estados, o Presidente Donald Trump garantiu que teria confrontado pessoalmente o atirador mesmo que ele próprio não estivesse armado.

"Acredito mesmo que eu tinha ido a correr para lá, ainda que não tivesse uma arma. E acho que a maioria das pessoas nesta sala teria feito o mesmo, embora nunca se saiba até sermos testados", disse Trump aos 39 governadores presentes.

A afirmação não tardou a provocar reações incrédulas, entre o revoltado e o satírico. Sobreviventes do massacre lamentaram que Trump estivesse a usá-lo para se gabar, ainda que teoricamente. A atriz Bette Midler, recordando o pretexto que o então jovem Trump utilizou para escapar à guerra do Vietname, comentou: "Trump disse hoje que teria entrado dentro da escola mesmo sem estar armado. A sério? Com os seus joanetes?" (Há uns anos, Trump admitiu que não se lembrava do pé onde tinha os supostos joanetes que o livraram da tropa).

A valentia alegada por Trump é ainda mais estranha quando se sabe que ele tem horror a sangue e a germes, e que se agarrou a um guarda-costas durante a campanha eleitoral, quando houve um falso alarme.

Movimento antiarmas estudantil

Entretanto, o Presidente norte-americano continua a criticar o agente da polícia que era a única pessoa armada na escola da Florida onde aconteceu o massacre há duas semanas. Ao ouvir o som de tiros, o agente contactou a central da polícia mas deixou-se ficar no exterior da escola durante quatro longos minutos. O massacre durou seis.

"Quando foi altura de entrar lá e fazer alguma coisa, ele não teve coragem ou aconteceu qualquer coisa. Não há dúvida de que fez um mau trabalho", disse Trump, chamando cobarde a esse polícia e acrescentando que ele e outros adjuntos do xerife não se tinham portado "exatamente como vencedores de medalhas de honra".

Os eventos na Florida desencadearam um movimento antiarmas, largamente conduzido por estudantes, muitos deles sobreviventes do massacre. Uma proposta de Trump, de que passasse a haver professores armados na sala de aula, despertou especial indignação. (Aquando de um atentado terrorista em França em 2015, Trump já tinha dito disse que as coisas teriam sido diferente se a legislação sobre armas lá fosse outra).

Noutra linha, propostas para aumentar o limite de idade a partir da qual se podem comprar certas armas de fogo – dos 18 para os 21 anos – bem como para reforçar as verificações de background dos potenciais compradores, um sistema atualmente cheio de lacunas, foram bem-recebidas. Mas Trump vai dizendo uma coisa e outra, como é seu costume, e de qualquer modo será sempre difícil ultrapassar a pressão do poderosíssimo lóbi que se opõe a qualquer forma de controlo de armas. Um lóbi dirigido pela National Rifle Association, da qual muitos congressistas e senadores são estreitos aliados.