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Internacional

Primeiro-ministro australiano proíbe sexo entre ministros e subalternos

O vice-primeiro-ministro ficará suspenso de funções por tempo indefinido

Stefan Postles

A nova regra, aplicável a “solteiros e casados”, surge no rescaldo de um escândalo que, esta semana, levou o vice-primeiro-ministro do governo Turnbull a ser suspenso de funções, por causa de um caso extraconjugal que manteve com uma ex-funcionária

O chefe do Executivo da Austrália anunciou esta quinta-feira que vai passar a ser proibido que ministros e os seus respetivos funcionários mantenham relações sexuais, numa reação ao escândalo estalado esta semana que envolve o seu vice, Barnaby Joyce, e um caso extraconjugal entre este e uma ex-funcionária sua.

Numa conferência de imprensa esta manhã, Malcolm Turnbull criticou Joyce pelo seu "chocante erro de julgamento", depois de confirmado que o vice-primeiro-ministro vai ficar suspenso de funções a partir de segunda-feira, quando entrará em licença sem vencimento, enquanto é alvo de um inquérito para apurar se violou os estatutos ministeriais.

Apesar das críticas, tanto Turnbull como Joyce rejeitam que o segundo tenha violado essas regras da forma que elas estão atualmente definidas. Para evitar futuros escândalos, o chefe do governo decidiu encetar uma reforma ao código de conduta "verdadeiramente deficiente" pelo qual os ministros australianos se regem.

"Os ministros devem comportar-se de acordo [com as regras], não devem manter relações sexuais com os seus funcionários, ponto final", declarou aos jornalistas. A proibição aplica-se a "solteiros e casados" e apenas dentro de cada ministério específico; isto significa que os ministros podem manter relações com funcionários de outros pelouros ou com pessoas que já trabalharam para o seu respetivo ministério mas que entretanto saíram.

A reforma surge em resposta ao escândalo que está a abalar a política australiana desde o início da semana, quando foi revelado que o número dois do governo teve um caso extraconjugal com aquela que, à data, era a sua conselheira para os media, Vikki Campion.

A oposição aprovou esta manhã no Senado uma moção não-vinculativa a exigir a demissão de Joyce, uma possibilidade já rejeitada por Turnbull sob o argumento de que o governante conservador não ocupava o cargo de vice-primeiro-ministro quando manteve essa relação com Campion.

"O Barnaby cometeu um chocante erro de julgamento ao ter um caso com uma jovem mulher que trabalhava no seu gabinete", declarou esta manhã Turnbull, acusando-o de ter causado "terrível sofrimento e humilhação" à sua mulher, Natalie Joyce, às quatro filhas de ambos e à antiga conselheira. "Ao fazer isto ele espoletou um mundo de desgraças para estas mulheres e chocou-nos a todos. Os nossos corações estão com elas."