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Parada militar almejada por Trump “poderá custar $30 milhões”

Trump quer um desfile militar em Washington desde que foi recebido em França em 2017, no Dia da Bastilha, com uma parada dessa natureza

Mustafa Yalcin / Anadolu Agency / Getty Images

Estimativa é do gabinete orçamental da Casa Branca e foi apresentada em resposta a questões dos legisladores do Congresso sobre os planos de despesa da administração para o próximo ano fiscal

A parada militar que o Presidente norte-americano ordenou ao Pentágono que planeie em Washington DC, capital dos Estados Unidos, vai custar aos contribuintes do país entre 10 milhões e 30 milhões de dólares (entre 8 e 24 milhões de euros), segundo cálculos do gabinete orçamental da Casa Branca.

Assim avançou Mick Mulvaney, diretor daquele gabinete, aos legisladores do Congresso esta quarta-feira, quando questionado sobre os planos de despesa da administração de Donald Trump para o ano fiscal de 2019. À comissão orçamental da Câmara dos Representantes, o representante do governo federal explicou que os cálculos são "muito preliminares" e que o preço final vai depender do "tamanho" do desfile, ainda por agendar.

"Tenho estimativas de custo variadas e muito diferentes, que vão dos 10 milhões aos 30 milhões de dólares, dependendo do tamanho da parada, da sua extensão e comprimento", explicou Mulvaney. "Obviamente, uma parada de uma hora é muito diferente de uma parada de cinco horas em termos de custos, de equipamento e desse tipo de coisas."

O desejo de Trump em organizar um desfile das tropas norte-americanas na capital surgiu-lhe no rescaldo do evento que o Presidente francês Emmanuel Macron organizou no ano passado no Dia da Bastilha, durante a visita do Presidente norte-americano a Paris, um feriado que em 2017 coincidiu com os 100 anos da entrada dos EUA na I Guerra Mundial.

No mês passado, Trump deu ordens às chefias do Exército para que estudassem a possibilidade de se organizar um desfile semelhante, um tipo de cerimónia solene característico de regimes autocratas militarizados e que, nos EUA, só costuma ser organizada quando o país ganha uma guerra.

Apesar destas ordens, Mulvaney garantiu esta quarta-feira que a administração Trump ainda não decidiu se vai concretizar esse plano. "Vamos continuar a trabalhar convosco se decidirmos avançar", prometeu aos legisladores. Na semana passada, o chefe do Departamento da Defesa, Jim Mattis, confirmou que o Presidente continua investido no plano mas que está em aberto a possibilidade de o evento decorrer noutra cidade que não a capital.

Segundo Mulvaney, se o desfile avançar a Casa Branca vai pedir ao Congresso que aprove o seu financiamento ou então reorientar fundos existentes para pagar pelo evento. Na atual proposta de Orçamento do Estado apresentada pela administração Trump, contam-se 686 mil milhões de dólares (550 mil milhões de euros) alocados ao Pentágono.

Críticos e opositores têm ridicularizado o desejo de Trump de gastar milhões de dólares num desfile sem sentido, num momento em que o Pentágono enfrenta uma escassez de fundos. "Na verdade já tivemos paradas militares neste país antes", lembrou Mulvaney em resposta a essas críticas. "Penso que a mais recente foi nos anos 1990, talvez até depois disso."

O último desfile militar ocorrido na capital norte-americana deu-se em 1991, quando o então Presidente George H. W. Bush quis celebrar com pompa o fim da guerra do Kuwait e a derrota do Iraque de Saddam Hussein nesse conflito.