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Internacional

Mulher russa fica sem dois filhos adotivos por ter removido os peitos

Os serviços sociais e o tribunal entenderam que, ao identificar-se como um homem, ela deixou de ser uma mãe adequada

Luís M. Faria

Jornalista

Uma mulher russa que fez uma operação para remover os dois peitos e por causa disso viu os serviços sociais retirarem-lhe dois filhos adotivos acaba de perder um recurso judicial contra essa decisão. O tribunal em Iekaterinburg, nos Urais, entendeu que, ao identificar-se como homem, ela deixou de ser uma mãe adequada.

A mulher, Yulia Savinovskikh, explicou que tinha querido acabar com a inconveniência que o seu peito grande representava quando ela fazia exercício com as crianças ou com os seus cães.

"Só encolhi os meus seios. Com ou sem seios permaneço uma mulher, uma mãe para os meus filhos", disse ela na altura. "Não tenho planos para uma operação de construção de pénis, nem para terapia hormonal ou uma mudança de sexo no meu passaporte".

Acrescentou que quando a questão originalmente se pôs, no verão passado, ela pensou que a confusão rapidamente seria esclarecida. Mas os serviços sociais não concordaram e o tribunal também não se deixou convencer, notando que a mulher já há algum tempo escrevia posts nas redes sociais onde se identificava como transgénero (ela garante que era apenas uma ficção, uma forma de se preparar psicologicamente para a cirurgia).

"Contradiz a lei da família no nosso país"

Na decisão judicial lê-se: "A autoidentificação de Savinovskikh como um homem – tendo em conta o seu casamento com um homem, o desejo de assumir um papel social próprio de um homem – em essência contradiz os princípios da lei da familia no nosso país, as tradições e a mentalidade da nossa sociedade".

Os dois filhos adotivos vão assim continuar ao cuidado do Estado, apesar de terem vivido com ela durante anos e de o marido de Savinovskikh apoiar os seus esforços para os recuperar. Quanto aos três filhos biológicos que ela já tem, em princípio vão continuar em casa. E o seu advogado já anunciou a intenção de ir até ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, caso seja preciso.