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Expresso

Internacional

Governo polaco exige às suas embaixadas a denúncia de cidadãos que o criticam

Jaap Arriens / Getty Images

É mais uma medida iliberal tomada por um Governo cada vez mais autoritário

Luís M. Faria

Jornalista

O Governo polaco ordenou às suas embaixadas e consulados que registem e reportem "qualquer difamação que possa afetar a boa reputação da Polónia". Segundo a cadeia de televisão alemã NDR, a instrução consta de uma carta já enviada ao consulado-geral em Munique e que irá a seguir para outras representações do país.

O objetivo assumido é "documentar todos os comentários e opiniões antipolacos que nos possam prejudicar", em especial os feitos por cidadãos polacos no estrangeiro. A Polónia tem estado envolvida em polémicas por causa de atitudes que parecem indicar um retrocesso fortemente iliberal, incluindo medidas para tomar conta dos tribunais e reduzir a sua independência.

Nas últimas semanas, foi também muito criticada uma legislação, agora aprovada em Varsóvia, que proíbe usar a expressão "campos da morte polacos" para designar Auschwitz e outros campos de extermínio nazis situados na Polónia. O Governo quer eliminar a ideia de que os polacos, de alguma forma, pudessem ter colaborado no Holocausto.

Embora Berlim tenha feito declarações a confirmar formalmente que o Holocausto foi obra da Alemanha, isso não basta para prevenir o "insulto para a nossa dignidade e orgulho nacional" que qualquer sugestão de cumplicidade implica. Assim, o líder do Senado polaco, Stanislaw Karczewski, enviou a carta agora noticiada.

O embaixador do país na Alemanha, Andrzej Przylebski, diz que a tarefa exigida faz "parte das tarefas habituais de uma representação diplomática ou consular". Mas há quem a considere uma verdadeira exigência de denúncia, num país que tem evoluído num sentido cada vez mais autoritário desde que o partido Lei e Justiça assumiu o poder.