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Internacional

Atriz alemã apela às colegas: na passadeira vermelha vistam-se como quiserem

Isa Foltin/GETTY IMAGES

É uma continuação do movimento feminista na sua vertente ligada ao cinema. Para combater também aí velhos estereótipos

Luís M. Faria

Jornalista

Depois do #MeToo (eu também), o #NobodysDoll (boneca de ninguém). Este é o movimento agora lançado por Anne Brüggeman, uma conhecida atriz alemã de 36 anos. Ela acha que é necessário combater não apenas o assédio sexual, como a preocupação constante das mulheres com a perfeição do seu próprio corpo. E assim, em vésperas da Berlinale – o mais importante festival de cinema alemão, que começa esta quinta-feira – ela apelou às atrizes para desafiarem velhos estereótipos sobre o modo como devem aparecer nos eventos sociais.

“O tapete vermelho é como um regresso aos anos 50”, disse ao diário britânico “The Guardian”. “Espera-se que as mulheres se espremam em vestidos estreitos e decotados, e se equilibrem em saltos impossíveis, para servir o olhar daqueles que vão julgar se elas são ou não comercializáveis. É tempo de arranjar imagens de referência diferentes, imagens de mulheres fortes e não convencionais”, refere.

O apelo foi lançado com o hashtag acima referido, e Brüggeman conta que já teve bastantes adesões. Mas também resistências. “Algumas [atrizes] disseram ter receio de serem marcadas como difíceis pelos realizadores e produtores, enquanto outras ressentiram a ideia de que eu estava a tentar dizer que eram bonecas apenas por gostarem de se vestir bem”.

Dieter Kosslick, o diretor do festival, lembra que lá nunca houve (ao contrário do que sucede em Cannes) quaisquer regras na matéria, e os atores e atrizes devem sentir-se à vontade: “Aconselho todas as mulheres que venham à Berlinale a usarem exatamente o que quiserem. Não vamos com certeza rejeitar nem mulheres que usem sapatos baixos nem homens em saltos altos”.

Brüggeman, porém, nota que muitas vezes a questão não são regras expressas mas o facto de as atrizes se sentirem obrigadas a ir vestidas de determinada forma. O peso do ‘olhar patriarcal’ não é fácil de escapar. Pela sua parte, está a pensar ir ao festival de saia, ténis e camisola de gola alta, mas acha que cada mulher deve usar a roupa que entender.

“Também vestidos decotados, se for o seu estilo”, acrescenta. “O principal é que a atriz se sinta confortável”. E que não se sinta um mero objeto nas sucessivas festas das estreias, “enquanto os homens fazem todos os negócios importantes”.