Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Primeiro-ministro israelita desafia autoridades e garante que não se demite

Mikhail Svetlov/GETTY

Polícia hebraica diz que Benjamin Netanyahu deve ser indiciado por fraude e aceitação de subornos. Decisão compete agora à procuradoria-geral do país, num processo que, segundo a Reuters, pode levar semanas, senão meses, a estar concluído

O chefe do governo de Israel, Benjamin Netanyahu, surgiu na terça-feira à noite na televisão estatal a anunciar que não se demite, horas depois de a polícia hebraica ter recomendado o seu indiciamento por fraude e aceitação de subornos enquanto primeiro-ministro.

Aos eleitores, Netanyahu garantiu que as alegações são "infundadas" e prometeu que vai continuar nas lides do país. A decisão sobre se deve ou não ser formalmente acusado pende agora sobre a procuradoria-geral, num processo que, segundo a Reuters, pode levar semanas senão meses a avançar e a estar concluído.

Em comunicado, as autoridades de segurança hebraicas sublinharam na terça-feira que há provas suficientes para indiciar Netanyahu por subornos, fraude e quebra de confiança em dois casos distintos depois de mais de um ano de investigação.

O primeiro, conhecido como Caso 1000, envolve Arnon Milchan, um produtor de Hollywood e cidadão israelita, bem como o empresário australiano James Packer, duas pessoas influentes que, durante quase uma década, entre 2007 e 2016, ofereceram presentes como champanhe, charutos e jóias ao primeiro-ministro e à sua família.

Ao todo, os presentes totalizaram mais de um milhão de shekels (cerca de 230 mil euros), é apontado no comunicado. Os advogados de Netanyahu garantem que foram meras demonstrações de amizade, mas qualquer futura investigação deverá debruçar-se sobre quaisquer favores políticos pedidos ou oferecidos em troca das prendas.

O segundo caso, o Caso 2000, também envolve suspeitas de "suborno, fraude e quebra de confiança pelo primeiro-ministro" e por Arnon Mozes, dono do jornal israelita de maior tiragem, o "Yedioth Ahronoth". Os dois homens, aponta a polícia, são suspeitos de discutirem formas de desacelerar as vendas de um jornal rival, o "Israel Hayom", "através de legislação e outros meios".

Netanyahu, que desmente todas as acusações, foi interrogado pelas autoridades várias vezes desde o início de 2017, quando as investigações foram lançadas. Ontem, garantiu na televisão que o futuro vai revelar a verdade e que estas alegações "vão terminar em nada".

"Vou continuar a liderar Israel de forma responsável e fiel enquanto vós, cidadãos de Israel, me escolherem para vos liderar", declarou. "Estou certo de que, nas próximas eleições, que serão organizadas no seu devido tempo [estão previstas para novembro de 2019], irei reconquistar a vossa confiança com a ajuda de deus."

Atualmente, o político da direita nacionalista, de 68 anos, está a cumprir o seu segundo mandato consecutivo à frente do Executivo hebraico, um cargo que ja ocupou durante 12 anos, entre 1996 e 1999 e novamente desde 2009, pelo partido Likud.

"Ao longo dos anos", sublinhou ainda na televisão, "fui sujeito a pelo menos 15 inquéritos e investigações. Alguns acabaram com recomendações estrondosas da polícia como as desta noite. Todas essas tentativas resultaram em nada e desta vez também vão redundar em nada."

Face ao comunicado da polícia, a União Sionista, uma aliança de partidos de centro-esquerda que representa o maior bloco da oposição israelita, exigiu ao primeiro-ministro que se demita.

"O Estado de Israel precisa de um líder com as mãos limpas e que se dedique exclusivamente aos assuntos do país", declarou Eyal Ben-Reuven ao "Times of Israel". Ilan Gilon, do partido de esquerda Meretz, exigiu o mesmo, dizendo que as alegações são uma "pesada sombra" sobre o primeiro-ministro.

Entre o Likud, o partido no poder, a maioria dos legisladores saiu em defesa de Netanyahu, entre eles o atual ministro do Turismo, Yariv Levin, que condenou o "passo desprezível" da polícia que, a seu ver, tem como único objetivo "executar um golpe governamental contra a vontade dos eleitores".

Fora de Israel, o caso parece estar a angariar pouca atenção para já. Em comunicado, uma porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, o maior aliado dos hebraicos, sublinhou que Washington mantém uma relação forte com Netanyahu e insistiu que este é um assunto interno de Israel que deve ser resolvido internamente.